Wellness cresce 7,6% ao ano e redefine academias, beleza e comida

Parceria entre Nanica e Mais Mu marca a entrada da rede de banoffee no segmento de suplementação e alimentação voltada ao bem-estarFoto: Divulgação/Nanica Brasil e Mais Mu

Durante muito tempo, o bem-estar ocupou uma posição periférica na economia. Era um território associado a nichos específicos, consumidores de alta renda ou modismos passageiros que surgiam e desapareciam com a mesma velocidade. Os números mais recentes, porém, sugerem que essa fase ficou para trás.

Segundo o Global Wellness Economy Monitor 2025, a economia global do bem-estar movimentou US$ 6,8 trilhões em 2024 e deve manter um ritmo de crescimento anual de 7,6% até 2029 — acima da expansão projetada para o PIB mundial. Quando um setor cresce mais rápido que a própria economia, ele deixa de ser apenas uma categoria de consumo para se tornar uma força capaz de reorganizar mercados inteiros.

O aspecto mais interessante dessa transformação é que ela não está concentrada em um único segmento. O wellness passou a funcionar como um ponto de encontro entre diferentes indústrias. Academias, clínicas de estética, marcas de alimentação, empresas de suplementação e até negócios tradicionalmente ligados ao entretenimento passaram a disputar espaço dentro da mesma conversa: qualidade de vida.

Quando recovery vira parte do treino

Talvez o exemplo mais evidente dessa mudança esteja no setor fitness. Durante décadas, academias venderam acesso a equipamentos e programas de treinamento. Hoje, a lógica parece outra. O exercício continua importante, mas já não é suficiente para justificar sozinho a escolha do consumidor.

A inauguração da nova unidade da Force One, em Araçatuba, ajuda a ilustrar esse movimento. Ao incorporar uma área dedicada à recuperação muscular — com sauna, cadeiras massageadoras e equipamentos voltados ao recovery —, a rede sinaliza uma mudança relevante: a recuperação passa a ter importância semelhante à do próprio treino.

Bem-estar deixa de ser tendência e passa a orientar estratégias de empresas que investem em experiências, recuperação física e qualidade de vidaFoto: Canva

O fenômeno acompanha uma transformação cultural mais ampla. Recursos antes reservados a atletas profissionais migraram para a rotina de praticantes comuns. Em uma sociedade cada vez mais preocupada com longevidade, prevenção e desempenho, descanso e recuperação ganham valor econômico.

Salões disputam espaço na jornada de bem-estar

Essa mesma lógica aparece no mercado de beleza. O Aura Beauty & Wellness acaba de anunciar a aquisição de uma operação de aproximadamente 600 metros quadrados nos Jardins, em São Paulo. O movimento não representa apenas expansão física — reflete uma mudança na forma como o consumidor enxerga os serviços de autocuidado.

Salões, clínicas e espaços de estética deixaram de competir apenas por procedimentos. Hoje, disputam relevância dentro de uma jornada mais ampla de bem-estar. Não por acaso, o discurso do setor incorpora termos como experiência, personalização, conveniência e lifestyle. A beleza passa a ser apresentada como parte de um ecossistema de saúde física, emocional e autoestima.

Quando sobremesa encontra suplementação

A alimentação também segue a mesma direção. A parceria anunciada entre o Nanica Brasil e a Mais Mu talvez parecesse improvável alguns anos atrás. De um lado, uma marca conhecida por suas banoffees. Do outro, uma empresa associada à suplementação e à alimentação saudável. A criação de um whey protein inspirado na sobremesa mais famosa da rede mostra como as fronteiras entre indulgência e nutrição começam a ficar menos rígidas.

O movimento revela uma mudança importante no comportamento do consumidor. As pessoas não abandonaram o prazer — passaram a procurar formas de conciliá-lo com objetivos relacionados à saúde e ao equilíbrio. O wellness contemporâneo não se constrói necessariamente pela restrição, mas pela tentativa de integrar diferentes dimensões do consumo.

Wellness redefine mercado

Talvez seja exatamente por isso que o setor continue crescendo em ritmo acelerado. O wellness deixou de representar apenas uma categoria de produto. Tornou-se uma lente pela qual consumidores avaliam escolhas, experiências e marcas.

Para as empresas, o desafio já não é simplesmente oferecer um serviço ou vender um produto. É demonstrar como sua proposta se encaixa em uma visão mais ampla de qualidade de vida.

Nesse cenário, academias investem em recuperação muscular, salões se transformam em centros de experiência e marcas de sobremesa entram no universo da suplementação. À primeira vista, parecem movimentos desconectados. Na prática, fazem parte da mesma transformação.

O wellness não está apenas criando novos mercados. Está redefinindo os antigos.

 

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