Dark Horse: Mendonça assume ação sobre filme de Flávio no STF

Senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato a presidência nas eleições de 2026 está oficialmente na mira do STF por filme ‘Dark Horse’Carlos Moura/Agência Senado

O dinheiro que produziu o filme sobre o ex-presidente, Jair Bolsonaro, está oficialmente na mira do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, determinou na noite de quinta-feira(25) que o ministro da Segundo Turma André Mendonça, seja o relator da notícia-crime contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) relacionado a Dark Horse. Regra técnica da justiça determina que Mendonça lidere o caso por já estar a frente de investigações sobre o mesmo assunto.

Cenas de Dark Horse, que conta a história de Jair BolsonaroReprodução/redes sociais

Segundo Fachin, o filme será investigado por duas frentes: uso da obra como instrumento “coringa” de propaganda em período eleitoral e como “mecanismo de circulação financeira”. A partir de agora, a Corte máxima a justiça brasileira passa a apurar ante as demais autoridades se os recursos financeiros do filme estão vinculados a fraude bancária, corrupção, gestão temerária, lesão a fundos previdenciários. O ministro Fachin levantou ainda outra linha de apuração:

Ponto de partida

O deputado federal Lindbergh Farias (PT) que deu o pontapé na ação frente o STF. No seu requerimento, o parlamentar pediu que a Corte apurasse supostas ilegalidades financeiras da produção cinematográfica que recebeu investimento milionário suspeito. O pedido partiu após vir a público em maio de 2026 áudios divulgados pelo portal Intercept Brasil.

Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro aparentavam proximidade e trataram de repasses via aplicativo de mensagemReprodução/redes sociais

O diálogo mostra claramente o candidato a presidência Flávio Bolsonaro solicitando dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro que foi gravado nos Estados Unidos (EUA). A negociação entre os dois gira entre US$ 24 milhões e US$ 26,8 milhões –  de R$ 61 milhões e R$ 134 milhões.

Linha de investigação

A frente investigativa parte das incoerência financeiras apresentadas até então. As mensagens entre o parlamentar e o empresário sugerem cobranças por repasses a fim de evitar atrasos nas gravações do filme Dark Horse. Porém a produtora do filme, GOUP Entertainment, fez declaração pública afirmando que não recebeu “um único centavo” de Vorcaro ou de suas empresas. As trocas de mensagens são do início de 2025.

Esse caso ganhou força e repercurtiu na justiça por Daniel Vorcaro estar preso desde 4 março de 2026 pela Polícia Federal (PF), acusado de liderar fraudes financeiras de aproximadamente R$ 12 bilhões, num contexto que fez o Banco Central (BC) a determinar a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025.

Este processo chegou inicialmente no gabinete do ministro Alexandre de Moraes, sob encaminhamento do deputado Lindbergh. Após análise ténica da Secretaria Judiciária e aprovação da Procuradoria-Geral da República (PGR), chegou-se a conclusão de que esse dinheiro que orbita a produção do filme já era instrumento de outras investigações que já estão nas mãos de Mendonça e este também recai sobre o ministro para unificar a análise. 

Luiz Edson Fachin, presidente do STFMarcelo Camargo / Agência Brasil

Segundo indica o ministro Fachin, foi aplicada as regras de conexão, do Código de Processo Penal para direcionamento do processo:

Flávio Bolsonaro se defende

O senador Flávio Bolsonaro se manifestou recentemente sobre o assunto e negou qualquer acusação de ilegalidade envolvendo o financiamento do filme do seu pai e sustenta que os contatos com o dono do Banco Master ocorreram exclusivamente na esfera privada de forma a buscar patrocínio para o projeto cinematográfico de cunho particular.

Afirma ainda que não há qualquer intervenção política e nem uso de dinheiro público ou verbas fiscais da Lei Rouanet. Flávio ressalta que as conversas aconteceram quando Daniel Vorcaroo não era suspeito ou investigado. E conclui que chegou a defender publicamente a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) após a prisão do empresário financiador para que Banco Master fosse investigado, declarando na ocasião que a apuração iria servir para “separar inocentes de bandidos”.

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