Anvisa proíbe plataforma de emagrecimento que indicava remédios

Anvisa proíbe plataforma Voy de emagrecimento que indicava remédiosReprodução/Site da Voy

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição da plataforma Voy, serviço digital voltado para tratamentos de emagrecimento que oferecia avaliação de pacientes, acompanhamento remoto e intermediação na obtenção de medicamentos para perda de peso. A decisão foi publicada nesta sexta-feira (26) no Diário Oficial da União.

Segundo a agência reguladora, a plataforma era divulgada como um dispositivo médico sem possuir o registro obrigatório exigido pela legislação sanitária. Além disso, a empresa responsável pelo serviço, a Revia Gestão de Negócios Ltda., não possui autorização de funcionamento para exercer esse tipo de atividade.

Com a medida, ficam proibidos a comercialização, a distribuição, a propaganda e o uso da plataforma em todo o país.

iG procurou a empresa para comentar a medida adotada pela Anvisa e esclarecer os próximos passos para os usuários da plataforma, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

Como funcionava a plataforma

Em seu site oficial, a Voy se apresentava como uma plataforma de saúde focada em emagrecimento. A empresa afirmava que gerenciava toda a jornada do paciente, conectando usuários a endocrinologistas, nutricionistas, farmácias parceiras e serviços de entrega de medicamentos.

O processo começava com o preenchimento de um questionário on-line sobre histórico de saúde, peso e hábitos de vida. As respostas eram encaminhadas para avaliação de um endocrinologista vinculado a clínicas parceiras.

Caso houvesse indicação médica, a plataforma informava que assumia a gestão da compra e da entrega dos medicamentos prescritos, além de oferecer suporte clínico e nutricional contínuo por WhatsApp.

A empresa também afirmava que os pacientes não precisavam buscar consultas, receitas ou farmácias por conta própria, já que toda a logística seria centralizada pela plataforma.

O que motivou a decisão da Anvisa

De acordo com a Resolução RE nº 2.528/2026, a Anvisa concluiu que a plataforma se enquadra na categoria de dispositivo médico, também conhecida como software médico.

A agência informou que a divulgação desse tipo de serviço exige registro sanitário específico e autorização de funcionamento da empresa responsável.

No documento publicado no Diário Oficial, a Anvisa afirma ter constatado a divulgação irregular do serviço sem o registro necessário e por uma empresa que não possuía autorização para atuar nessa modalidade.

A decisão foi baseada em dispositivos da Lei nº 6.360, de 1976, e do Decreto nº 8.077, de 2013, que regulamentam a fabricação, comercialização e funcionamento de produtos e serviços sujeitos à vigilância sanitária.

Outro ponto destacado pela agência envolve a comercialização de medicamentos. Segundo a Anvisa, a empresa não está regularizada como farmácia ou drogaria, condição necessária para realizar vendas desse tipo de produto.

Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (26), a agência alertou que medicamentos adquiridos fora de estabelecimentos autorizados não possuem garantias sobre origem, armazenamento adequado, qualidade ou composição.

A preocupação ocorre em um momento de crescimento da procura por medicamentos utilizados no tratamento da obesidade e do sobrepeso, muitos deles impulsionados pela popularidade nas redes sociais.

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