Tentativa de execução: estado de saúde de irmão de Eloá é grave

Tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos foi baleado na cabeça na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul, na Grande São PauloFoto: Reprodução Instagram

O primeiro-tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, irmão mais velho de Eloá Pimentel, segue internado em estado grave, porém estável, após ser baleado na cabeça em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. Segundo a Polícia Militar, o oficial passou por uma complexa cirurgia neurológica no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, e não apresentou piora durante o procedimento.

Em nota divulgada neste domingo (28), a corporação informou que o quadro clínico exige atenção.

Ronickson foi atingido por diversos disparos na manhã de sábado (27), enquanto pilotava uma motocicleta pela Avenida Goiás, uma das principais vias de São Caetano do Sul.

Como aconteceu o ataque

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o policial, que estava à paisana, aguardava o semáforo abrir quando foi surpreendido por dois homens em outra motocicleta.

Nas gravações, a dupla se aproxima por trás e efetua os disparos à queima-roupa. Logo após os tiros, os suspeitos fogem do local.

Câmera de segurança mostra momento em que policial foi baleado na Grande SPReprodução/Circuito de Segurança

O oficial foi socorrido em estado gravíssimo por equipes da Polícia Militar, com apoio do helicóptero Águia, sendo encaminhado inconsciente ao Hospital Mário Covas, onde permanece internado.

As investigações são conduzidas pela Polícia Civil, que ainda tenta esclarecer a motivação do crime e identificar os responsáveis. Até o momento, ninguém foi preso.

Governador de SP fala em execução

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou acreditar que o atentado tenha sido uma tentativa de execução.

Segundo o governador, a motocicleta utilizada pelos criminosos já foi localizada e passará por perícia. Tarcísio também afirmou ter determinado “prioridade máxima” às forças de segurança para localizar e prender os envolvidos.

Nas redes sociais, o chefe do Executivo paulista disse ter recebido a notícia “com profunda indignação” e reforçou o compromisso de esclarecer o caso.

Pronunciamento do governador de SP, Tarcísio de FreitasReprodução Instagram

Quem é Ronickson Pimentel

Ronickson ingressou na Polícia Militar de São Paulo em 2009, inicialmente como soldado, após ter servido como fuzileiro naval na Marinha do Brasil entre 2006 e 2009.

Em 2015, passou a integrar o quadro de oficiais da corporação por meio da Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Ao longo da carreira, acumulou sete anos de experiência no patrulhamento de Força Tática e, desde 2019, atua no 1º Batalhão de Polícia de Choque Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), uma das tropas de elite da PM paulista.

A tragédia que marcou o país

O sobrenome Pimentel ficou conhecido nacionalmente em outubro de 2008, quando Eloá Cristina Pimentel, então com 15 anos, foi mantida em cárcere privado pelo ex-namorado, Lindemberg Alves Fernandes, em Santo André.

O sequestro começou em 13 de outubro daquele ano e durou cerca de 100 horas, tornando-se o mais longo episódio de cárcere privado já registrado no estado de São Paulo.

Lindemberg Alves Fernandes foi condenado pela morte de Eloá Cristina Pimentel, em 2008Reprodução/redes sociais

Durante quase cinco dias, milhões de brasileiros acompanharam, ao vivo, as negociações entre a polícia e o sequestrador. O caso teve enorme repercussão nacional e provocou debates sobre violência contra a mulher, atuação policial e cobertura da imprensa.

No dia 17 de outubro de 2008, pouco antes da invasão do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) ao apartamento, Lindemberg atirou contra Eloá e a amiga Nayara Rodrigues. Eloá não resistiu aos ferimentos e morreu no dia seguinte. Nayara sobreviveu.

Anos depois, durante o julgamento de Lindemberg, Ronickson prestou depoimento no Tribunal do Júri de Santo André e classificou o assassino da irmã como “um monstro”.

“Ele era agressivo, sempre arrumava brigas por futebol”, afirmou o policial na ocasião.

Lindemberg foi condenado pelos crimes relacionados ao cárcere privado e pela morte da adolescente, em um caso que permanece como um dos episódios criminais mais marcantes da história recente do Brasil.

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