Impasse sobre reajustes de salários e auxílios trava fim da greve de servidores da Unicamp; universidade rompe negociações


Impasse sobre reajustes de salários e auxílios trava fim da greve de servidores da Unicamp
Um impasse entre o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) e a reitoria sobre os reajustes dos salários e auxílios tem travado o fim da greve de servidores da universidade, que acontece desde 11 de maio de 2026.
Em assembleia na quinta-feira (25), a categoria optou por manter a paralisação e avaliou que a proposta apresentada pela Unicamp “permanece insuficiente diante das necessidades”.
No dia seguinte ao anúncio (26), por conta da manutenção da greve, a reitoria suspendeu novas negociações alegando que as propostas alcançaram “os limites institucionais decorrentes das responsabilidades financeiras, administrativas e acadêmicas” — entenda abaixo.
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Servidores da Unicamp votaram pela continuidade da greve
STU
Em nota, o STU informou que, mesmo com o rompimento da mesa de negociação, continuará com a paralisação e lamentou a decisão da universidade.
“As respostas apresentadas até o momento e a postura da reitoria diante das reivindicações não são suficientes para demonstrar disposição da reitoria para avançar em pautas fundamentais para a valorização das trabalhadoras e dos trabalhadores, e para a melhoria das condições de trabalho na universidade”, ponderou.
“A própria carta aberta da reitoria é sintomática do processo de negociação vivido nas últimas semanas. Ao encerrar unilateralmente a mesa de negociação, o documento acaba por confirmar a avaliação construída pelos servidores durante a assembleia”, completou.
Os servidores da Unicamp são os únicos que continuam em greve desde o mês passado. Em 11 de junho, os professores encerraram a paralisação após aprovarem a proposta de reajuste salarial de 3,92% negociada entre o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e o Fórum das Seis.
Já os estudantes finalizaram o movimento em 12 de junho, após avanços na negociação por políticas de permanência e moradia estudantil, com 95% das pautas aprovadas.
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STU
As principais reivindicações do STU são relacionadas aos reajustes dos salários e dos auxílios. Uma das cobranças é que os valores sejam equipados aos dos trabalhadores da Universidade de São Paulo (USP) — o assunto já foi debatido em anos anteriores entre os manifestantes e a reitoria.
Confira as cobranças da categoria:
Reajuste salarial de 7,52% (anteriormente, o percentual pedido era de 15,97%, mas foi alterado);
Reajuste no vale-alimentação em valor maior que os R$ 50 propostos pela Unicamp;
Reajuste no vale-refeição;
Reajuste no auxílio-saúde.
Além disso, o sindicato elaborou um documento com “pautas emergenciais específicas”, que deveria ser discutido com a reitoria. Entre as reivindicações estão:
Respeito aos direitos das pessoas com deficiência (PCDs);
Melhorias nas condições do transporte fretado;
Valorização da carreira;
Redução da jornada de trabalho;
Reavaliação da situação dos trabalhadores terceirizados;
Pagamento das progressões;
Gratificações de servidores em estágio probatório;
Contra a autarquização da área da saúde.
Por fim, os trabalhadores pedem que a universidade recalcule o tempo de serviço para recebimento de benefícios, passando a considerar o período da pandemia da Covid-19 — que suspendeu temporariamente esta contagem.
A medida, conhecida como “Descongela Já”, é respaldada por uma lei complementar federal sancionada em 12 de janeiro de 2026 pelo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As propostas da Unicamp
Imagem aérea do campus da Unicamp em Campinas
Reprodução/EPTV
No anúncio de suspensão das negociações, a Unicamp divulgou quais propostas foram apresentadas ao STU, que seriam implementadas caso a greve terminasse:
Vale-alimentação: equiparação ao valor praticado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), com elevação do benefício de R$ 1.950,00 para R$ 2.000,00, sem pagamento retroativo;
Vale-refeição: reajuste imediato de R$ 43,00 para R$ 50,00 por dia, sem pagamento retroativo;
Auxílio-saúde: ampliação do benefício para R$ 990,00 mensais (acréscimo de 10% sobre o valor atual), a partir de janeiro de 2027, desde que a arrecadação do ICMS-QPE atinja R$ 185,4 bilhões no exercício de 2026, sem pagamento retroativo;
Pauta específica da categoria: realização imediata da primeira reunião para discussão da pauta emergencial apresentada pelo STU e definição do cronograma de reuniões destinado ao tratamento da pauta específica de 2026.
🔎 O ICMS-QPE é o índice usado para calcular o repasse obrigatório de recursos estaduais para as universidades públicas paulistas (USP, Unicamp e Unesp). A sigla significa Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e sua respectiva Quota-Parte do Estado (QPE).
🔎 Do total de ICMS arrecadado pelo estado de São Paulo, 25% são repassados aos municípios por lei. Os 75% restantes formam a Quota-Parte do Estado.
Já sobre o reajuste salarial, a Unicamp destacou que foi fechado um percentual de 3,92%, definido pelo Cruesp em negociação com o Fórum das Seis, e que será submetido à apreciação do Conselho Universitário em reunião extraordinária a ser convocada para 7 de julho.
Na avaliação da reitoria, os termos das propostas foram elaborados em cenário de “elevada restrição orçamentária”.
“Para o exercício de 2026, a universidade projeta déficit superior a R$ 570 milhões, que poderá alcançar aproximadamente R$ 656 milhões após a incorporação dos impactos decorrentes do reajuste salarial já concedido”, explicou.
Impasse
Manifestantes protestam em rotatória na entrada da Unicamp, Campinas
Johnny Inselsperger/EPTV
Com o rompimento das negociações, há um impasse sobre o fim da greve. A Unicamp sustenta que apenas irá retomar as conversas após o fim da paralisação, mas reafirmou o seu compromisso com “diálogo institucional” e disse permanecer aberta “à construção de soluções sempre que estiverem presentes as condições para seu desenvolvimento”.
“Preservar esse equilíbrio é condição indispensável para que a Unicamp continue fortalecendo sua missão pública e prestando à sociedade serviços de excelência em ensino, pesquisa e extensão”, afirmou.
Já o STU declarou ao g1 que avalia a situação e que “a medida mais urgente e imediata é retomar a mesa de negociação”.
Ainda, o sindicato argumentou que, na assembleia de quinta, a continuidade da greve também considerou atividades programadas e a realização de novas discussões em 1º de julho, para devolutiva de pontos relacionados à pauta específica emergencial que não haviam sido abordados.
Tendo esse retorno da reitoria, os trabalhadores decidiriam o futuro da paralisação em nova assembleia em 2 de julho.
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