
Um lobo-marinho foi resgatado no Canal de São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo, nesta última segunda-feira (6). O resgate foi feito pelo Instituto Argonauta em uma ação que contou com o apoio da Defesa Civil e da Secretaria de Mobilidade e Segurança da Prefeitura Municipal de Ilhabela (SP).
De acordo com as informações divulgadas pelo Instituto, o mamífero marinho foi resgatado após dias de monitoramento e acionamentos sucessivos da população.
Ele foi identificado como um lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis) juvenil que segue para tratamento em Ubatuba (SP).
O lobo-marinho foi encontrado em frente à Praia de Santa Teresa, entre os flutuantes do Iate Clube de Ilhabela, no Canal de São Sebastião.
O Instituto Argonauta também informou que o animal vinha sendo observado com frequência nas proximidades de embarcações que trafegam pelo canal.
A área é de grande circulação náutica no Litoral Norte de São Paulo e o lobo-marinho apresentava baixa resposta à aproximação das embarcações, estando muito próximo delas.
O comportamento, segundo os especialistas, representava um risco de acidentes.
A equipe do Instituto Argonauta realizou a captura do mamífero para uma avaliação clínica mais detalhada. Como ele permanecia em constante deslocamento na água, não era possível realizar um exame veterinário completo.
Na avaliação, foi possível identificar que o lobo-marinho estava magro, com uma lesão no olho esquerdo, com machucados na orelha e na nadadeira peitoral esquerda. Os ferimentos são compatíveis com uma possível interação com ferramentas de pesca.
O animal foi encaminhado ao Centro de Reabilitação e Despetrolização do Instituto Argonauta, em Ubatuba. Ele vai permanecer sob cuidados veterinários especializados e vai receber tratamento para as lesões, alimentação adequada, monitoramento clínico e acompanhamento diário.
Lobo-marinho-sulamericano
O lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis) é natural da costa da América do Sul, com colônias reprodutivas concentradas principalmente no Uruguai, Argentina, Chile e nas Ilhas Malvinas.
Durante o inverno, de acordo com o Instituto Argonauta, a espécie pode alcançar o litoral brasileiro durante seus deslocamentos naturais em busca de alimento, especialmente os animais mais jovens.
Muitas vezes eles chegam debilitados e apresentam lesões decorrentes da longa viagem, além de interações com atividades humanas, como a pesca, por exemplo. Sendo assim, o atendimento especializado é essencial para aumentar as chances de sobrevivência.
O Instituto Argonauta ainda orienta que, ao encontrar mamíferos marinhos em praias, costões ou próximos a embarcações, a população deve manter distância, evitar qualquer tipo de interação e acionar equipes especializadas.

Instituto Argonauta
O Instituto Argonauta é uma organização sem fins lucrativos, que foi fundada em julho de 1998 pela Diretoria do Aquário de Ubatuba.
A organização tem como objetivo a conservação do meio ambiente, em especial dos ecossistemas costeiros e marinhos.
Sendo assim, o instituto apoia e desenvolve projetos de pesquisa, resgate e reabilitação da fauna marinha, educação ambiental e resíduos sólidos no ambiente marinho, entre outros.
Em parceria com o Aquário de Ubatuba, foi criado também o CRETA (Centro de Reabilitação e Triagem de Animais Aquáticos), que atua no resgate, reabilitação e reintrodução da fauna aquática do Litoral Norte, sendo Ilhabela, Ubatuba, Caraguatatuba e São Sebastião.
Desde 2015, o Instituto Argonauta é a instituição executora do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) no litoral norte de São Paulo.
