
A Polícia Civil investiga um ranking sexualizado que teria usado nomes de alunas do Colégio Cruzeiro, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O material seguia o modelo de “tier-list”, formato popular na internet para classificar itens por níveis, mas teria sido usado para expor adolescentes em categorias ofensivas.
Em nota enviada ao iG, o Colégio Cruzeiro afirmou que acionou as autoridades por meio de boletim de ocorrência assim que tomou conhecimento dos fatos. A escola também disse que exigiu a remoção do conteúdo junto à plataforma, alertou as famílias e iniciou apoio às alunas e aos familiares.
A apuração está sob responsabilidade da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV). Agentes realizam investigações para esclarecer quem criou o material, como ele circulou e se outras pessoas participaram da divulgação.
O ranking teria separado estudantes em categorias como “Goat”, sigla de “Greatest of all time”, expressão em inglês usada para “melhor de todos os tempos”; “Comeria no lucro”; “Bêbado vai”; “Me arrependi depois”; e “Nem olharia”.
A Polícia Civil não confirmou, até agora, quantas estudantes foram citadas nem se há suspeitos identificados. A investigação também apura se houve exposição, constrangimento ou violência psicológica contra adolescentes.
Por envolver menores de idade, a apuração exige cuidado para preservar as vítimas e evitar nova exposição.
Colégio diz que conteúdo foi removido
O Colégio Cruzeiro afirmou que repudia “qualquer atitude de exposição” que afete os alunos e disse que mantém campanhas de conscientização sobre conduta ética e responsabilidade digital.
A instituição também informou que permanece atenta às medidas pedagógicas cabíveis. Sobre autoria e punição, o colégio afirmou que as autoridades responsáveis estão conduzindo a investigação.
O que é uma tier-list
“Tier-list” é uma expressão em inglês usada para listas que organizam itens por níveis. O formato ficou popular nas redes sociais para comparar personagens, filmes, séries, jogos, músicas, times e celebridades.
Geralmente, a montagem separa os itens em faixas, da melhor para a pior avaliação. O formato pode aparecer como brincadeira entre fãs ou em conteúdos de entretenimento.
O problema é quando esse modelo passa a classificar pessoas reais, ainda mais adolescentes, com termos ofensivos ou de conotação sexual. Nesses casos, a publicação pode gerar constrangimento, exposição indevida e danos às vítimas.
Nota do Colégio Cruzeiro na íntegra
“O bem-estar e a segurança de nossos alunos são prioridades absolutas no Colégio Cruzeiro e repudiamos qualquer atitude de exposição que os afetem. Assim que tomamos conhecimento dos fatos, acionamos as autoridades por meio de boletim de ocorrência, exigimos a remoção do conteúdo junto à plataforma — o que já foi feito —, alertamos as famílias e iniciamos o apoio integral às alunas e suas famílias. Entendemos que o papel da escola vai além do ensino acadêmico, incluindo a formação integral do ser humano. A conduta ética e a responsabilidade digital são temas recorrentes da sociedade contemporânea. Por isso, oferecemos constantemente a nossos três mil alunos, campanhas de conscientização com palestras de juízes, psicólogos, especialistas em tecnologia, delegados, entre outros. Nossa postura reflete a tradição e os valores de uma instituição que, ao longo de seus 164 anos, formou gerações pautadas pelo respeito e pelo desenvolvimento humano integral. Com base nos princípios e valores educacionais, a escola permanece atenta às medidas pedagógicas que lhe cabem para o zelo e preservação do ambiente formativo. Quanto à autoria e punição, no âmbito penal, salientamos que as autoridades competentes estão cumprindo o seu papel investigativo.”
