
Trump fala na cúpula da Otan
Reuters/Umit Bektas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, causou tumulto em uma cúpula de líderes da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) nesta quarta-feira ao exigir que os Estados Unidos cortassem as relações comerciais com a Espanha e reiterar suas reivindicações sobre a Groenlândia, mas depois mudou de tom e afirmou que havia amor e “muita união” na aliança.
“A união naquela sala foi incrível, havia muito amor ali”, afirmou Trump em coletiva de imprensa no final da cúpula.
Falando na capital turca, Ancara, Trump chamou Madri de “parceiro terrível” na Otan ao criticar os aliados por não apoiarem a guerra contra o Irã e ordenou que o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, suspenda todo o comércio com a Espanha.
As declarações de Trump, que também anunciou o fim do frágil cessar-fogo com o Irã, agitaram uma cúpula que os líderes europeus esperavam que superasse uma série de desentendimentos que ameaçavam desintegrar a aliança militar.
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“A Espanha é uma causa perdida. Não queremos mais fazer negócios com a Espanha”, disse Trump. “A propósito, gostaria de cortar relações. A Espanha é um parceiro terrível na Otan. Eles não participam, não pagam. Não quero ter nada a ver com a Espanha. Cortem todo o comércio com a Espanha, incluindo visitas.”
Trump falou ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que tem se empenhado em acalmar suas preocupações sobre gastos com defesa, o Irã e a Groenlândia, ao mesmo tempo em que elogiava efusivamente o presidente por trazer essas questões à tona.
Mas, ao sair de uma reunião a portas fechadas com os líderes da Otan, Trump disse mais tarde: “Havia muito amor naquela sala, muita união”. Ele também falou de forma mais calorosa sobre o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, ao se encontrar com ele, em nítido contraste com a reprimenda severa proferida em uma reunião no ano passado, e afirmou que concederia a Kiev uma licença para fabricar mísseis Patriot.
Uma fonte a par das negociações da Otan afirmou que Trump não repetiu suas críticas a portas fechadas e, em vez disso, demonstrou vontade de manter os EUA na Otan, dizendo: “queremos permanecer com vocês”.
O presidente da França, Emmanuel Macron, também disse que não ouviu nenhuma reclamação de Trump, enquanto Rutte declarou que havia um grande senso de união.
Pelo menos no papel, a cúpula também terminou com uma mensagem de solidariedade, com os aliados da Otan, incluindo Trump, afirmando seu “compromisso inabalável” com a defesa coletiva nos termos do Artigo 5º do pacto da aliança em uma declaração da cúpula.
Os aliados europeus e o Canadá afirmaram que estão assumindo maior responsabilidade pela defesa da aliança, enquanto os membros da Otan também se comprometeram a fornecer 70 bilhões de euros (US$80 bilhões) em assistência militar à Ucrânia para 2026.
As declarações públicas anteriores de Trump haviam minado a mensagem cuidadosamente elaborada antes da cúpula de que os países europeus da Otan haviam assumido suas responsabilidades em relação aos gastos militares, o que resultou na divulgação, na terça-feira, de pelo menos US$50 bilhões em iniciativas de defesa.
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