
Redação DW
Atletas que foram submetidos ao doping pelo Estado da Alemanha Oriental não dispõem de “meios adequados de apoio, embora os afetados ainda necessitem urgentemente de ajuda”, afirmou um novo relatório divulgado nesta quarta-feira (08/07).
As conclusões foram apresentadas em Berlim por Evelyn Zupke, comissária do governo alemão para as vítimas da ditadura socialista, no Memorial de Hohenschönhausen, um antigo centro de detenção da Stasi, a polícia secreta da República Democrática Alemã (RDA).
Segundo o relatório, divulgado anualmente, o doping forçado constituiu “um flagrante abuso de poder político, que reduziu os atletas “a meros objetos da ação estatal, violando gravemente sua dignidade humana”. Zupke pediu alterações na legislação atual para garantir que as vítimas tenham acesso a apoio adequado.
Em um relatório separado, divulgado em janeiro, Zupke declarou estar “convencida de que enfrentar as consequências do doping patrocinado pelo Estado na RDA não é apenas uma questão para os afetados e para os historiadores”.
“Isso também é importante para a imagem que a Alemanha tem de si mesma como uma nação esportiva entusiasmada e bem-sucedida”, afirmou, referindo-se à candidatura do país para sediar os Jogos Olímpicos nas próximas décadas.
Por que a Alemanha Oriental dopava seus atletas?
A Alemanha Oriental implementou, em 1974, um amplo programa estatal de doping. O objetivo era ajudar a República Democrática Alemã (RDA) a conquistar mais medalhas em competições internacionais, que então poderiam ser celebradas como prova da força e da superioridade do Estado socialista.
Até 1989, estima-se que entre 10 mil e 15 mil jovens tenham recebido sistematicamente substâncias para melhorar o desempenho – principalmente esteroides anabolizantes –, muitas vezes sem seu conhecimento ou consentimento. Alguns tinham apenas 13 anos de idade.
O doping ajudou a transformar a Alemanha Oriental em uma potência esportiva, com o país conquistando o segundo maior número de medalhas tanto nos Jogos Olímpicos de 1976 quanto nos de 1980.
Após a reunificação alemã, em 1990, a verdadeira dimensão do programa de doping veio à tona, lançando uma sombra sobre as conquistas esportivas da Alemanha Oriental.
“A sombra da ditadura é longa”
Além da questão do doping, o relatório de Zupke apresentou uma avaliação positiva das leis adotadas no início de 2025 que passaram a oferecer compensação às vítimas do regime da Alemanha Oriental. “Nosso país reunificado está no caminho certo para oferecer o melhor apoio e reconhecimento possíveis às vítimas da ditadura do SED”, disse Zupke, referindo-se ao Partido Socialista Unificado da Alemanha (SED), que governava a Alemanha Oriental.
“Mas a sombra da ditadura é longa: muitas vítimas continuam sofrendo com as consequências para a saúde.”
md/cn (DPA, EPD)
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Autor: Redação DW
