Tokenização amplia acesso ao crédito para mulheres empreendedoras

A dificuldade de acesso ao crédito permanece como um dos principais obstáculos ao crescimento de empresas lideradas por mulheres. Durante o BM&C New Deal, Patrícia Aiello, fundadora da Elas Tokeniza e presidente do Instituto Brasileiro de Inovação, afirmou que muitas empreendedoras enfrentam restrições para financiar a expansão de seus negócios.

Parte dessa dificuldade está relacionada aos critérios utilizados pelas instituições financeiras para calcular o risco. A menor presença de imóveis, veículos e outros bens em nome das mulheres pode reduzir a disponibilidade de garantias e resultar em taxas mais elevadas, mesmo quando elas apresentam capacidade de pagamento.

“Ela não consegue o crédito ou, quando ela consegue, a taxa de juros é mais cara”, afirma Patrícia Aiello.

Estrutura permite adaptar condições de financiamento

A Elas Tokeniza foi criada para conectar empreendedoras que precisam de capital a investidores interessados em financiar negócios por meio de ativos digitais. As operações podem envolver crédito, antecipação de recebíveis ou participação societária, conforme a necessidade e o estágio de desenvolvimento da empresa.

Diferentemente de um financiamento bancário tradicional, a tokenização permite estruturar prazo, pagamento de juros, período de carência e amortização de acordo com o fluxo financeiro do negócio. As condições, no entanto, precisam ser apresentadas de maneira clara ao investidor antes da captação.

“Quando você vai no banco, você tem que pegar o modelo do banco. Quando você tokeniza, não, você faz o modelo”, explica Patrícia Aiello.

Valores menores ampliam acesso de investidores

A divisão das operações em tokens também pode reduzir o valor necessário para participar de determinadas captações. Em vez de realizar um aporte elevado diretamente em uma empresa, o investidor pode adquirir uma fração do ativo e receber a remuneração definida na estrutura da operação.

Para a empreendedora, o modelo representa uma fonte adicional de financiamento fora do sistema bancário. Para o investidor, a alternativa amplia o acesso a empresas e projetos que, em outros formatos, poderiam ficar restritos a fundos ou investidores-anjo.

“A tokenização agora deixa de ser uma ideia de que será que vai dar certo no futuro. Ela já está aqui”, avalia Patrícia Aiello.

Modelos de risco podem incorporar novos dados

A executiva também defende uma revisão dos modelos utilizados para analisar o risco de crédito das mulheres. A proposta envolve estudos com inteligência artificial e instituições acadêmicas para identificar informações capazes de avaliar com maior precisão a capacidade de pagamento e o potencial de crescimento dos negócios.

Além da oferta de capital, a educação financeira foi apontada como parte necessária desse processo. O conhecimento sobre juros, planejamento, previdência e organização do fluxo de caixa pode reduzir o endividamento e melhorar a tomada de decisão de consumidores e empresários.

“Se alguma coisa mudou, que fez sentido na minha vida, foi ter tido educação financeira”, ressalta Patrícia Aiello.

Juros elevados pressionam pequenas empresas

O ambiente de juros altos amplia o custo do capital de giro e limita os investimentos das empresas. Nesse cenário, instrumentos de tokenização e programas públicos de fomento podem funcionar como alternativas para projetos de inovação, desde que as companhias apresentem planejamento, documentação e capacidade de execução.

Patrícia também destacou a existência de recursos públicos destinados à inovação por meio de agências de fomento e editais. A consolidação dessas alternativas dependerá do avanço da regulação, da transparência das operações e da ampliação do conhecimento de investidores e empreendedores sobre os novos modelos de financiamento.

 

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