
O asteroide Bennu voltou a ser assunto nas redes sociais após publicações sugerirem que ele poderá atingir a Terra em setembro de 2182. Embora a NASA considere essa a data com a maior probabilidade de impacto entre todos os cenários analisados, a própria agência espacial afirma que a chance de uma colisão acontecer é de apenas 0,037%, o equivalente a cerca de uma em 2.700.
Na prática, isso significa que há mais de 99,9% de probabilidade de o Bennu não atingir a Terra. Ainda assim, o asteroide continua sendo monitorado porque faz parte de um grupo de objetos que passam relativamente perto da órbita terrestre e podem ter sua trajetória acompanhada com precisão por décadas.
O que é o asteroide Bennu
Bennu é um asteroide com aproximadamente 500 metros de diâmetro, descoberto em 1999. Ele pertence à categoria dos chamados asteroides próximos da Terra (Near-Earth Asteroids), ou seja, corpos rochosos que orbitam o Sol e, em determinados momentos, passam nas proximidades da órbita do nosso planeta.
Isso não significa que estejam em rota de colisão. Na maioria das vezes, esses objetos apenas cruzam a região por onde a Terra também passa em sua volta ao Sol, mas em momentos diferentes.
Os cientistas acreditam que as rochas que formam o Bennu são remanescentes dos primeiros momentos do Sistema Solar. Elas teriam surgido há cerca de 4,6 bilhões de anos em um grande corpo celeste que foi destruído por uma colisão.
O asteroide como é conhecido hoje teria se formado entre 1 bilhão e 2 bilhões de anos atrás, a partir de parte desses fragmentos. A hipótese mais aceita é que ele tenha se originado no cinturão de asteroides localizado entre Marte e Júpiter e, ao longo de milhões de anos, sua órbita tenha mudado até passar pela vizinhança da Terra.
Atualmente, o Bennu faz uma aproximação maior do planeta aproximadamente a cada seis anos, chegando a uma distância de cerca de 299 mil quilômetros.
Por causa do seu tamanho e da proximidade com a órbita terrestre, Bennu integra a lista de objetos monitorados pelo Centro de Estudos de Objetos Próximos da Terra (CNEOS), da NASA.

Por que falam tanto no ano de 2182?
Esse é o ponto que mais gera confusão para as pessoas. A NASA não prevê que Bennu vá atingir a Terra em 2182. O que os cientistas calculam é que 24 de setembro de 2182 representa a data que reúne a maior probabilidade de impacto entre todas as aproximações estudadas até o ano de 2300.
Mesmo assim, essa probabilidade continua extremamente pequena de 0,037%.
Em outras palavras, dizer que “o asteroide vai atingir a Terra em 2182” é incorreto. O correto é afirmar que essa é apenas a data em que existe a maior possibilidade estatística de colisão, embora a chance de isso acontecer seja mínima.
Como a NASA chegou a esses números
Os cálculos ficaram muito mais precisos graças à missão OSIRIS-REx. Lançada em 2016, a sonda chegou a Bennu em 2018, passou mais de dois anos estudando sua superfície e coletou amostras do asteroide, que retornaram à Terra em 2023.
Além de trazer material para análise, a missão permitiu aos cientistas medir com muito mais precisão a órbita de Bennu e entender como pequenas forças, como o calor emitido pelo próprio asteroide — um fenômeno conhecido como efeito Yarkovsky — alteram sua trajetória ao longo dos anos.
Imagine que o Sol aquece um lado do asteroide durante o dia. Quando esse lado esfria, ele libera calor de volta para o espaço. Esse processo funciona como um empurrão extremamente pequeno, mas que, ao longo de décadas ou séculos, pode modificar a órbita do objeto. Os dados coletados pela OSIRIS-REx ajudaram a calcular esse efeito com muito mais precisão.
O que aconteceria se Bennu realmente atingisse a Terra
Os cientistas também estudam esse cenário, não porque ele seja provável, mas para preparar estratégias de defesa planetária caso um objeto semelhante seja identificado em rota de colisão no futuro.
Segundo estudos científicos, um impacto de um asteroide com cerca de 500 metros de diâmetro poderia provocar:
- uma intensa onda de choque;
- formação de uma grande cratera;
- terremotos próximos ao local do impacto;
- incêndios causados pela radiação térmica;
- lançamento de grandes quantidades de poeira na atmosfera, reduzindo a entrada de luz solar e alterando o clima por alguns anos.
Os efeitos dependeriam do local da colisão, se em terra firme ou no oceano, além do ângulo de impacto.
Apesar de Bennu continuar sob monitoramento permanente, a própria NASA reforça que a chance de uma colisão é extremamente baixa. O acompanhamento faz parte do programa de defesa planetária da agência, que monitora milhares de objetos próximos da Terra para identificar qualquer mudança em suas órbitas com muitos anos de antecedência.
Esse monitoramento é justamente o que permite detectar riscos futuros e, se um dia for necessário, desenvolver estratégias para desviar um asteroide antes que ele represente uma ameaça ao planeta.
