Família pede prisão de suspeito de matar mulher espancada em Jaboticabal, SP: ‘Como se a impunidade fosse certa’


Mulher morre após ser espancada pelo ex-marido em Jaboticabal, SP
A família de Josemeire Aparecida Silva, de 40 anos, que morreu em Jaboticabal (SP), pede a prisão do suspeito do crime, Edson Luiz Antonio da Silva, de 48 anos. O caso foi registrado na Polícia Civil como feminicídio consumado, violência doméstica, além de sequestro e cárcere privado.
Segundo o autônomo Juliano dos Santos Silva, irmão da vítima, a família espera que as autoridades tomem providências.
“A gente pede por justiça porque a gente estava esperando esse mandado de prisão e ele está na rua. Andando, sabe? Como se a impunidade fosse certa na vida dele, que não vai acontecer nada. E a gente clama por justiça. […] Minha irmã só queria viver. E agora minha mãe está aqui arrasada, minha mãe está sem chão. A gente sofre muito”, afirma Juliano.
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A delegada responsável pelas investigações, Carla Carfan, informou que a Polícia Civil pediu a prisão do suspeito à Justiça e aguarda a decisão.
A Defensoria Pública do Estado de São Paulo, que representa a defesa de Edson, informou apenas que ele foi atendido por meio de um convênio firmado entre a instituição e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP).
Josemeire Aparecida Silva, de 40 anos, morreu após ser espancada pelo ex-companheiro em Jaboticabal, SP
Arquivo pessoal
Histórico de violência e cárcere privado
De acordo com Juliano, a irmã e o suspeito mantinham um relacionamento de idas e vindas há cerca de cinco meses. Josemeire, chamada de Rosinha, era dependente química e passava parte do tempo em situação de rua.
No entanto, o irmão ressalta que ela trabalhava com reciclagem e como faxineira, e não dependia do ex-companheiro financeiramente.
“Ela trabalhava, ela catava reciclagem, ela fazia limpeza nas casas das pessoas que gostavam muito dela. Então, ela nunca dependeu dele”, explicou.
Em maio, a família tomou conhecimento do primeiro episódio grave de agressão. No dia 23 daquele mês, Juliano recebeu uma ligação informando que a irmã havia sido resgatada após conseguir fugir da casa de Edson, onde era mantida em cárcere privado.
“Fui lá, busquei ela, ela estava toda machucada, toda sem condições mesmo. Com a face desfigurada, com muitas lesões na cabeça”, relembra.
No dia seguinte, Juliano levou Josemeire à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Jaboticabal. A vítima recebeu atendimento e teve alta médica para continuar o tratamento em casa, aguardando consulta com um especialista.
Após sair da UPA, Josemeire ficou na casa da mãe, mas se recusou a ir à delegacia. Segundo a família, ela tinha medo de registrar boletim de ocorrência por conta das ameaças. Os detalhes da violência só foram contados por ela, aos poucos, em conversas com a cunhada.
“Ela falava que começava do nada, né? E ela nem sabia o porque das agressões, ele explodia. A agressão era tão forte que ela pouco lembrava, ela lembrava quando acordava, que ela desmaiava e acordava, né? Então é o que ela lembrava aos poucos, mas ela falava que era do nada”, conta Juliano.
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Novas agressões e morte
Mesmo se afastando, Josemeire foi encontrada pelo suspeito no início de julho. Segundo o relato da família, ele a abordou na rua e a atacou novamente, de forma ainda mais severa.
No dia 14 de junho, ela foi levada outra vez à UPA, apresentando um sangramento grave na parte de trás do crânio. No dia 15 de junho, o quadro clínico se agravou, ela entrou em coma e não conseguiu mais se recuperar.
A vítima morreu no último no dia 4 de julho. Para a família, a exposição do caso é uma tentativa de pressionar as autoridades.
“Para a gente não deixar no esquecimento e ser mais um caso. E para que ele vá preso, para que as autoridades possam entender que foi um feminicídio”, diz o autônomo.
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