Em terceira gestação com partos múltiplos, ovelha dá à luz cinco filhotes no RS: ‘Ela vem nos surpreendendo’, diz produtor


Ovelha dá à luz cinco filhotes no RS
Uma ovelha da raça Texel deu à luz cinco filhotes em uma propriedade rural no interior de São Sepé, na Região Central do Rio Grande do Sul. O parto aconteceu na criação do zootecnista Félix Kelling e chamou a atenção pelo número de filhotes.
Segundo o produtor, esta é a terceira gestação consecutiva da ovelha com partos múltiplos. No primeiro parto, ela teve quatro cordeiros. No ano passado, deu cria de outros quatro filhotes. Desta vez, nasceram cinco cordeiros: três machos e duas fêmeas.
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“Ela vem nos surpreendendo aqui na propriedade. Já é o terceiro ano seguido com partos múltiplos. Primeiro foram quatro cordeiros, depois mais quatro e agora cinco”, afirma.
A criação começou em 2021, quando Félix e a esposa compraram dez cordeiras da raça Texel de um criador do município. A ideia era manter um rebanho reduzido, com dez matrizes e um carneiro.
“A intenção era não deixar aumentar demais. Só que começou a sair do controle. Vieram os partos gemelares, depois os trigêmeos”, relata.
A ovelha que teve os quíntuplos já acumulava um histórico reprodutivo incomum. Além dos dois partos anteriores com quatro crias cada, a mãe dela também registrou um parto de trigêmeos. O caso chama atenção pelo histórico de partos múltiplos ao longo das gerações.
Segundo a extensionista rural e médica veterinária da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Elusa Santos de Andrade, partos de dois ou até três cordeiros não são incomuns na ovinocultura. Muitas raças ovinas apresentam maior atividade reprodutiva em períodos do ano com menos horas de luz, o que favorece a ovulação de mais de um óvulo. Quando isso se soma a boas condições nutricionais, aumentam as chances de gestações múltiplas.
Para a veterinária, o histórico observado na propriedade sugere a presença de características genéticas associadas à prolificidade, ou seja, à capacidade de produzir mais filhotes por gestação.
O professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Sérgio Carvalho explica que o nascimento de cinco cordeiros é uma ocorrência pouco frequente.
“A incidência de partos de dois cordeiros ou até três cordeiros é normal. Quatro ou cinco cordeiros não é uma coisa tão comum de acontecer”, explica.
Segundo o pesquisador, a repetição de partos múltiplos em diferentes gerações reforça a hipótese de uma predisposição genética. Entre os genes associados a essa característica estão o Booroola e o Vacaria, conhecidos por aumentar a taxa de ovulação das matrizes e, consequentemente, a ocorrência de partos numerosos.
Além da genética, o produtor atribui os resultados ao manejo adotado na propriedade.
“A gente procura alinhar nutrição, sanidade e genética. Esses fatores precisam caminhar juntos para que resultados assim aconteçam”, destaca.
No ano passado, foram desmamados 30 cordeiros de um total de 14 ovelhas na propriedade. A criação também vem sendo premiada em concursos municipais e intermunicipais promovidos pela Emater. Nos últimos dois anos, conquistou títulos nas categorias melhor trio, melhor cordeira e melhor trio de borregas.
“Já é o segundo ano que a gente vem sendo premiado. A nossa criação só vem nos dando alegria”, diz.
Desafio na criação dos filhotes
Ovelha dá à luz cinco filhotes em São Sepé
Imagens cedidas/ Félix Kelling
Além da raridade do parto, a criação dos cinco cordeiros exige cuidados especiais.
Segundo Carvalho, o principal desafio está na alimentação dos filhotes durante o período de lactação. “Criar cinco cordeiros é uma condição bastante desafiadora para essa matriz”, afirma.
Ainda de acordo com o professor, uma única ovelha tem dificuldade para produzir leite suficiente para atender cinco crias ao mesmo tempo. Por isso, é necessário reforço nutricional para a matriz e suplementação alimentar para os cordeiros ainda nas primeiras semanas de vida.
Uma das estratégias utilizadas é o creep feeding, sistema em que os filhotes têm acesso a ração concentrada em espaço exclusivo a partir dos 10 dias de vida. O objetivo é complementar a alimentação e garantir o desenvolvimento adequado dos animais.
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