
As discussões sobre a reparação histórica da primeira capital de Goiás avançaram durante a transferência da sede do governo estadual para o município. O governador Daniel Vilela (MDB) assinou a criação de um grupo de trabalho para as comemorações dos 300 anos da cidade, comemorados em 2027. O chefe do Executivo estadual se reuniu com o prefeito Aderson Gouvea (PT) na manhã desta quarta-feira (22) para iniciar as tratativas sobre as medidas que poderão integrar o processo de compensação pelas perdas provocadas perda do posto de Capital. O grupo reúne representantes do Governo de Goiás, da Prefeitura da Cidade de Goiás, da Câmara Municipal, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Sesc. A missão será levantar as necessidades do município, elaborar propostas para as comemorações dos 300 anos e discutir medidas capazes de fortalecer o desenvolvimento econômico, cultural e turístico da antiga capital.
Segundo Gouvea, a criação do grupo representa o primeiro passo concreto para resgatar uma reivindicação que acompanha a cidade há quase um século. “Quando a capital foi transferida para Goiânia, havia um consenso de que a cidade seria recompensada por essa mudança. Isso nunca aconteceu”, afirmou. De acordo com o prefeito, além de organizar as comemorações do tricentenário, o grupo terá a responsabilidade de refletir sobre os impactos da mudança da capital e construir um legado permanente para o município. “O governador assinou o decreto durante a transferência simbólica da capital para Goiás e agora essas instituições terão a missão de olhar para as necessidades da cidade, preparar as celebrações e discutir o futuro de um município que carrega, desde 2001, o título de Patrimônio Mundial da Humanidade”, disse. Aderson também afirmou que a expectativa é que o governo estadual participe da construção de soluções para demandas históricas da cidade.
Pedido por reparação começou em 1936
A reivindicação da Cidade de Goiás, entretanto, é anterior à própria transferência da capital. Segundo o procurador-geral do município, José do Carmo Siqueira, a primeira tentativa de garantir compensações foi apresentada ainda em 1936, quando Goiânia sequer havia assumido oficialmente a condição de capital do estado.
“Foi o prefeito Joaquim de Cunha, junto com a Câmara de Vereadores, que construiu um projeto de lei prevendo uma série de compensações à Cidade de Goiás pela perda do posto de capital”, explicou.
A prefeitura argumenta que, embora a Cidade de Goiás tenha se consolidado como referência cultural e turística — sendo sede do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) e o único município goiano reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco — ainda enfrenta gargalos históricos em infraestrutura, drenagem urbana, abastecimento de água, preservação ambiental e desenvolvimento econômico.
