
O Brasil registrou um recorde de feminicídios em 2025, consolidando uma tendência de alta observada nos últimos quatro anos. Ao todo, 1.571 mulheres foram vítimas do crime no ano passado, o equivalente a cerca de quatro mortes por dia, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23). O número representa um aumento de quase 8% em relação a 2022, quando foram registrados 1.455 casos.
O crescimento dos casos tem sido contínuo. Em 2023, foram registrados 1.467 feminicídios no país. Em 2024, o número subiu para 1.504.
Veja os estados com mais casos
São Paulo lidera o ranking de feminicídios em números absolutos, com 270 casos registrados em 2025. Em seguida aparecem Minas Gerais, com 177 vítimas, Rio de Janeiro, com 105, e Bahia, com 102, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Em 2024, São Paulo também ocupava a primeira posição, com 253 casos, seguido por Minas Gerais, com 169, e Bahia, com 110.
Apesar de permanecerem no topo do ranking, esses estados não registraram as maiores variações percentuais no período. O maior aumento proporcional foi observado no Amapá, onde os casos passaram de dois, em 2024, para nove, em 2025, uma alta de 347,7%. Na sequência aparece o Acre, que registrou crescimento de 74,3%, passando de oito casos em 2024 para 14 em 2025.
Feminicídios mesmo com medida protetiva
Outro dado que chama atenção é o número de mulheres assassinadas mesmo com uma Medida Protetiva de Urgência (MPU) ativa no momento do crime. Em 2025, foram registrados 70 casos no Brasil, contra 67 em 2024.
O ranking dos estados também mudou de um ano para o outro. Em 2024, o Rio Grande do Sul liderava o número de feminicídios de mulheres que possuíam medida protetiva, com 12 casos. Já em 2025, o Paraná passou a ocupar a primeira posição, com 13 registros.
Na sequência, em 2024, apareciam Santa Catarina, em segundo lugar, com 11 casos, e o Paraná, em terceiro, com nove registros. Em 2025, Pernambuco assumiu a segunda posição, com 11 casos, seguido por Mato Grosso, com sete registros.
Casos de tentativa de feminicídio
Nos casos de tentativa de feminicídio, quando a vítima sobrevive à violência, os números são ainda mais alarmantes. Em 2025, foram registrados 4.189 casos no Brasil, o equivalente a quase 12 ocorrências por dia. O total representa um aumento de cerca de 60% em relação a 2022, quando foram contabilizadas 2.612 tentativas de feminicídio.
Em números absolutos, São Paulo liderou o ranking em 2025, com 757 registros. Na sequência aparecem Rio de Janeiro, com 307 casos, e Rio Grande do Sul, com 264.
Na comparação entre 2024 e 2025, São Paulo registrou um aumento de 16,7% nas tentativas de feminicídio. No entanto, a maior variação percentual do país foi observada no Distrito Federal, onde os casos passaram de 95, em 2024, para 135, em 2025, um crescimento de 41,4%.
Perfil das vítimas
O levantamento também revela o perfil das vítimas e dos autores dos feminicídios. Nos casos com autoria identificada, 96,4% dos crimes foram cometidos por homens. Entre as vítimas, 65,1% eram mulheres negras e 56,5% tinham entre 25 e 44 anos. Além disso, 62,5% dos feminicídios ocorreram dentro da própria residência da vítima.
Quem comete os feminicídios
Em relação aos autores, a maioria dos crimes foi praticada por pessoas próximas às vítimas. Em 60,9% dos casos, o feminicídio foi cometido pelo parceiro íntimo, enquanto 18,9% tiveram como autor o ex-parceiro. Outros 12,1% dos assassinatos foram praticados por familiares, evidenciando que a violência contra as mulheres ocorre, na maioria das vezes, no contexto de relações afetivas ou familiares.
Brasil no cenário internacional
No ranking global, o Brasil ocupa a quinta posição em número de feminicídios, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. O país fica atrás de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia.
Em comparação com países desenvolvidos, os números são ainda mais alarmantes: o Brasil registra 48 vezes mais assassinatos de mulheres do que o Reino Unido, 24 vezes mais do que a Dinamarca e 16 vezes mais do que o Japão ou a Escócia.
Endurecimento das penas
Diante do cenário, a legislação foi atualizada. A Lei 14.994/2024 , sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aumentou a pena para o crime de feminicídio, que agora varia de 20 a 40 anos de prisão.
A pena pode ser aumentada em alguns casos. Por exemplo, se a mulher estiver grávida ou até três meses após o parto; se a vítima for menor de 14 anos ou maior de 60 anos; ou se o crime for cometido na presença dos filhos ou dos pais da vítima.
