MP Eleitoral investiga suspeita de ‘ativismo’ via WhatsApp em horário de expediente para apoiar Sampaio na eleição suplementar de Roraima


Soldado Sampaio (Republicanos) concorreu ao cargo de governador de Roraima na eleição suplementar
Ascom Sampaio/Divulgação
O Ministério Público Eleitoral (MPE) abriu, nesta quarta-feira (22), uma investigação para apurar suspeitas de que servidores públicos do governo de Roraima utilizaram grupos de WhatsApp para promover conteúdo eleitoral durante o horário de expediente para beneficiar a candidatura do governador interino Soldado Sampaio (Republicanos) nas eleições suplementares de Roraima este ano.
Procurado, o governo não enviou resposta até a última atualização da reportagem.
A investigação apura se a estrutura do governo e o trabalho de servidores públicos foram utilizados para favorecer Sampaio, prática que pode configurar abuso de poder de autoridade e condutas vedadas a servidores públicos no período eleitoral.
O objetivo do MPE é apurar o “ativismo digital em múltiplas Secretarias do Governo do Estado de Roraima via aplicativo WhatsApp” e a divulgação de “publicidade em horário de expediente”.
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O trabalho é conduzido pelo procurador regional eleitoral Miguel de Almeida Lima, conforme portaria publicada no Diário Oficial do Ministério Público Federal (MPF).
O MPE vai “apurar o suposto abuso de poder de autoridade e conduta vedada a agentes públicos em benefício do candidato FRANCISCO DOS SANTOS SAMPAIO, para o cargo de Governador do Estado de Roraima, nas Eleições Suplementares de 2026”.
Soldado assumiu o comando do estado no dia 30 de abril, após o então governador ser cassado. Ele concorreu ao cargo de governador na eleição suplementar realizada no dia 21 de junho e recebeu 93.897 votos, menos que a quantidade de eleitores faltosos. Arthur Henrique (PL), o principal adversário dele, foi o mais bem votado, mas a eleição segue indefinida.
A portaria não detalha quais secretarias são alvos da investigação. Em maio, um servidor da Secretaria de Segurança Pública de Roraima (Sesp) denunciou que funcionários da pasta foram obrigados a usar camisa amarela e a participar da convenção partidária de Sampaio. A orientação, segundo ele, foi dada pela secretária que comanda a pasta (veja no vídeo abaixo).
🏛️ Atualmente, a estrutura do governo do estado tem 45 órgãos ligados ao alto escalão, subordinados ao governador. O número inclui secretarias regulares e extraordinárias, setores da governadoria, autarquias, fundações e empresas de economia mista.
Instaurada por meio de um Procedimento Preparatório Eleitoral (PPE), a apuração deve aprofundar as suspeitas de irregularidade eleitoral antes da eventual abertura de uma ação judicial.
Como base, o procurador citou que a a Lei das Eleições proíbe agentes públicos de utilizar bens e serviços da administração pública em benefício de candidatos e também veda o uso de servidores públicos para atividades de campanha durante o horário de expediente, exceto quando estiverem licenciados.
A suspeita chegou à Procuradoria Regional Eleitoral por meio de uma Notícia de Fato, que é quando o MP toma conhecimento de um possível ação irregular e faz uma análise inicial.
Servidor acusa secretária da Sesp de obrigar a usar camisa e ir à convenção de governador
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