Incêndio florestal nos arredores de Madri está ‘fora de capacidade de extinção’, dizem bombeiros; centro da Nasa na Espanha é esvaziado


Árvore em chamas durante um incêndio florestal na região de Cebreros, perto de Ávila, a 80 km a oeste de Madri
Cesar Manso/AFP
Um incêndio de grandes proporções nos arredores de Madri foi declarado como “fora de capacidade de extinção” pelas autoridades espanholas nesta sexta-feira (24).
As chamas obrigaram milhares de pessoas a deixar suas casas. Um complexo da Nasa na cidade de Robledo de Chavela e um outro da Agência Espacial Europeia na cidade de Cebreros foram completamente esvaziados.
Grandes incêndios florestais saíram de controle no sudoeste da França e no centro da Espanha nesta sexta, levando 92 mil pessoas a abrigos nos dois países.
Algumas chegaram a fugir de barco quando as chamas avançaram pela península de Cap Ferret, na costa atlântica francesa.
Dezenas de bombeiros ficaram feridos, segundo as autoridades, mas não houve relatos de mortes em nenhum dos dois países.
Cerca de 125 quilômetros quadrados foram consumidos pelo incêndio que arde desde quarta-feira perto de Cap Ferret. Localizada a apenas 60 quilômetros de Bordeaux, a península normalmente oferece paisagens deslumbrantes e praias de areia, além de vilarejos de cultivo de ostras e resorts de luxo.
Cerca de 67 mil moradores na França deixaram uma área maior depois que as autoridades ordenaram evacuações adicionais mais ao sul, após o início de um outro incêndio florestal. Tanto a França quanto a Espanha solicitaram ajuda aos demais membros da União Europeia.
“É algo impressionante e até assustador”, disse Laurent Moretti, morador da cidade de Arès. “Nunca houve uma evacuação nessa escala antes. Tudo o que realmente esperamos é que os bombeiros consigam controlar a situação rapidamente.”
Mais de 20.000 pessoas já haviam sido evacuadas de cidades e resorts de férias na quinta-feira. As novas evacuações foram realizadas por via terrestre, com transporte de barco disponibilizado para pessoas que não podiam se deslocar por meios próprios.
Autoridades locais do departamento de Gironde informaram que 53 casas e um acampamento foram destruídos pelas chamas, acrescentando que 42 bombeiros ficaram feridos. Cerca de 1.500 pessoas que fugiram da península chegaram por mar à cidade de Arcachon, algumas a bordo de pequenos táxis aquáticos e outras em embarcações maiores.
A UE entra em ação
Centenas de bombeiros franceses foram mobilizados, e reforços terrestres e aéreos adicionais foram enviados na sexta-feira para combater o fogo. Enquanto isso, outro grande incêndio florestal destruiu 25 quilômetros quadrados de terra mais ao sul, ao longo da costa. O fogo permanecia fora de controle, e ventos fortes dificultavam o trabalho dos bombeiros.
As autoridades acreditam que a causa de ambos os incêndios tenha sido acidental. Cerca de 44.000 pessoas foram evacuadas em Gironde, e 23.000 em Landes. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a França receberá reforços da UE, incluindo duas aeronaves de combate a incêndios Canadair da Croácia, duas aeronaves Air Tractor de Portugal e dois helicópteros de carga pesada Black Hawk da República Tcheca e da Eslováquia. O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, disse que a Itália e a Grécia estão enviando, cada uma, dois aviões Canadair de lançamento de água.
Espanha luta para combater múltiplos incêndios em meio a uma onda de calor
Na Espanha, o governo declarou emergência nacional devido aos incêndios florestais pela primeira vez, à medida que as chamas em Madri e na província vizinha de Ávila levaram à evacuação de cerca de 25.000 pessoas de cidades a oeste da capital.
Os incêndios estão sendo intensificados por uma onda de calor, com temperaturas previstas para ultrapassar 39 graus Celsius (102 Fahrenheit) em partes da Espanha.
Os dois grandes incêndios próximos a Madri fundiram-se em um único foco que, rapidamente, havia consumido 30 quilômetros quadrados (11,5 milhas quadradas) até a tarde de sexta-feira. A presidente regional, Isabel Díaz-Ayuso, classificou o episódio como o pior da história de Madri.
Francisco Martín, representante do governo central para a região de Madri, informou que outras 20.000 pessoas receberam ordens para permanecer em casa em cidades a oeste da capital. Martín disse que mais evacuações poderiam ocorrer e que a prioridade agora era proteger a cidade de San Lorenzo, onde fica o Escorial — o palácio e mosteiro real de Filipe II, do século XVI.
Enquanto isso, um incêndio em Ávila, a menos de duas horas a noroeste de Madri, havia consumido 90 quilômetros quadrados (34 milhas quadradas), forçando a fuga de outras 1.500 pessoas. A Guarda Civil da Espanha prendeu um homem e investiga outro por supostamente ter utilizado maquinário pesado em uma área onde o uso era proibido devido ao risco de incêndio. A polícia acredita que uma faísca tenha iniciado o fogo na quinta-feira.
“Nos meus 60 anos, nunca vi algo assim na minha cidade; nunca vi um incêndio dessas dimensões”, disse à emissora nacional espanhola TVE Francisco Martínez, prefeito de Burgohondo, cidade de Ávila cujos moradores foram evacuados preventivamente.
A televisão espanhola exibiu vídeos feitos por moradores que deixavam a área, mostrando paredes de chamas coroadas por longas colunas de fumaça avançando por bosques e áreas de vegetação rasteira. Ventos fortes e terreno acidentado dificultaram o trabalho dos bombeiros, que combateram as chamas com caminhões de bombeiros e tratores.
“Havia fumaça e fogo por toda a cidade; eu estava com medo. Tudo era fogo e fumaça, as pessoas estavam nervosas”, disse Joaquin Espinosa, de 33 anos, à Associated Press, antes de ele e seus vizinhos serem evacuados do povoado de Chapinería, localizado a menos de uma hora de carro a oeste de Madri.
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