Vice-presidente da Venezuela oferece aos EUA transição de governo sem Maduro, diz jornal

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, ofereceu aos Estados Unidos dois planos que preveem uma transição de governo no país sem a presença de Nicolás Maduro. As informações foram reveladas pelo jornal Miami Herald nesta quinta-feira (16).
As propostas foram apresentadas no contexto da escalada de tensões entre os EUA e a Venezuela. Na quarta-feira (15), o presidente Donald Trump afirmou ter autorizado operações secretas da CIA em território venezuelano e disse estar estudando ataques terrestres contra cartéis do país.
Segundo o Miami Herald, as propostas de transição de governo foram encabeçadas pela vice-presidente e pelo irmão dela, Jorge Rodríguez, atual presidente da Assembleia Nacional da Venezuela.
As tratativas foram feitas com a Casa Branca por intermédio do Catar, com o aval de Maduro, de acordo com o jornal.
A primeira proposta foi apresentada em abril deste ano, quatro meses antes de os EUA enviarem navios militares para perto da costa da Venezuela. Conforme a reportagem, o plano previa a renúncia de Maduro e o acesso do governo americano ao setor de petróleo e mineração venezuelano.
Ainda segundo a proposta, Maduro poderia permanecer na Venezuela e receberia garantias de segurança. Delcy assumiria o poder e manteria o “madurismo”, ao mesmo tempo que organizaria uma transição política pacífica. Enquanto isso, os EUA retirariam as acusações criminais contra o líder venezuelano.
O plano de abril foi rejeitado pela Casa Branca, segundo o jornal. À época, o secretário de Estado, Marco Rubio, teria indicado que um acordo que não previsse a mudança total de regime seria inviável.
Em setembro, Delcy apresentou a segunda proposta. Desta vez, ela ofereceu um governo de transição liderado por ela e Miguel Rodríguez Torres — chavista crítico a Maduro que está exilado na Espanha. Nesse cenário, o atual presidente buscaria exílio no Catar ou na Turquia.
Segundo o Miami Herald, o plano também inclui nomes de membros da oposição venezuelana na transição de governo. María Corina Machado, principal liderança opositora e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, foi excluída da proposta.
Fontes ouvidas pelo jornal afirmaram que a segunda proposta também foi rejeitada. Uma autoridade da Casa Branca disse à reportagem que os EUA desconfiam que o plano manteria estruturas criminosas do governo Maduro “sob um novo disfarce”.
Vale lembrar que o governo Trump acusa Maduro de liderar o Cartel de los Soles, organização que, segundo pesquisadores, não existe oficialmente como grupo estruturado.
Especialistas afirmam que o chamado Cartel de los Soles é, na verdade, uma “rede de redes” que facilita e lucra com o tráfico internacional de drogas.
Há indícios de que Maduro seja um dos principais beneficiários do esquema, que também contaria com a participação de militares e autoridades do governo venezuelano.
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