
O primeiro-tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, conhecido nacionalmente por ser irmão de Eloá Cristina Pimentel, permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, na Grande São Paulo. Ele foi baleado na cabeça durante um atentado ocorrido no último sábado (27), em São Caetano do Sul.

De acordo com o boletim médico mais recente, divulgado pelo comando da Rota, o policial segue em estado gravíssimo, porém estável.
Ronickson permanece sedado, sob monitoramento neurológico contínuo e recebendo alimentação por sonda. Segundo a equipe médica, ele apresenta estabilidade do ponto de vista hemodinâmico e recebe medicamentos para garantir a adequada irrigação cerebral.
Ainda conforme o hospital, os exames realizados são compatíveis com a gravidade do trauma e, até o momento, não foram registradas complicações consideradas preocupantes. A evolução clínica é considerada lenta, mas dentro do esperado para casos semelhantes.
Família relata resposta neurológica positiva
Em comunicado publicado nas redes sociais, familiares do tenente afirmaram que Ronickson apresentou uma “resposta neurológica positiva”, além de evolução clínica satisfatória, apesar da gravidade do quadro.
O policial se recupera de uma cirurgia neurológica de emergência realizada logo após ser atingido por um disparo na cabeça na Avenida Goiás, uma das principais vias de São Caetano do Sul.
Câmeras ajudaram a identificar envolvidos
As investigações sobre o atentado avançaram com auxílio de imagens captadas pelo sistema Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo.
Segundo a administração municipal, a análise das gravações permitiu reconstruir a rota de fuga dos suspeitos e identificar os veículos utilizados na ação criminosa.

As imagens mostraram que a motocicleta usada no atentado foi abandonada na comunidade de Heliópolis, na Zona Sul da capital. Na sequência, os suspeitos teriam fugido a pé.
Os investigadores também identificaram veículos que teriam dado apoio logístico aos atiradores antes e depois dos disparos, reforçando a hipótese de que o crime foi planejado.
Dois suspeitos foram presos
A Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária de dois homens, de 40 e 52 anos, suspeitos de participação no atentado. Eles foram localizados pela Polícia Militar em Guaianases, na Zona Leste da capital, e encaminhados ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
Segundo as investigações, os detidos não são apontados como autores dos disparos, mas teriam prestado apoio logístico aos executores do crime utilizando veículos que acompanharam a motocicleta usada no atentado.
Dois automóveis apreendidos com os investigados serão submetidos à perícia do Instituto de Criminalística. Um terceiro homem, de 24 anos, chegou a acompanhar um dos suspeitos ao DHPP, mas não permaneceu preso.
O caso que marcou a família
Ronickson é irmão mais velho de Eloá Cristina Pimentel, adolescente de 15 anos assassinada pelo ex-namorado, Lindemberg Alves Fernandes, em outubro de 2008, em Santo André.

O caso ganhou repercussão nacional após Eloá permanecer cerca de 100 horas em cárcere privado dentro do apartamento onde vivia. O desfecho trágico, acompanhado ao vivo por emissoras de televisão de todo o país, transformou o episódio em um dos casos criminais mais emblemáticos da história recente do Brasil.
Anos depois, durante o julgamento de Lindemberg, Ronickson classificou o assassino da irmã como “um monstro”. Atualmente, ele integra a Rota, uma das tropas de elite da Polícia Militar paulista.
As investigações sobre o atentado continuam para identificar e localizar os autores dos disparos.
