
Trabalhadores são resgatados de situação análoga à escravidão
Os 55 trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão em Cezarina, na região Sul de Goiás, comiam no chão e não tinham banheiro disponível, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O órgão explicou que eles vieram da Bahia e de Minas Gerais para trabalhar na extração de palha de milho para a produção de cigarros após serem atraídos com promessas de que poderiam ganhar entre R$ 6 mil e R$ 10 mil por mês.
“Há relatos de trabalhadores que precisavam almoçar no chão, fazer necessidades fisiológicas no mato ou em sacolas, inclusive as mulheres . Havia também [; além da] falta de fornecimento de água potável nas frentes de trabalho e [e da] falta de EPIs adequados”, contou um auditor-fiscal do MTE que participou da operação.
Ao g1, o empregador disse que os trabalhadores ficaram parados porque houve problema com a palha de milho e que inicialmente eles seriam registrados em outra empresa, que saiu do negócio, deixando-o com as despesas. Disse ainda que em um determinado momento, a maior parte deles não quis mais trabalhando, ficando em casa por conta própria.
Além disso, contou que participou de uma reunião com o Ministério do Trabalho e Emprego, onde eles manifestaram o desejo de voltar para casa, mas não tinha condições de arcar com os custos. O empregador destacou que nunca houve promessas de salários de R$ 10 mil, que apenas dois encarregados ganhariam R$ 6 mil e que todos os colaboradores receberam os valores pela sua produção. Ele destacou ainda que os encarregados estavam trazendo colaboradores de todos os lugares sem comunicá-los e que o próprio MTE permitiu que eles continuassem com as atividades.
Operação resgata mais de 50 trabalhadores em condições análogas à escravidão em Goiás
Divulgação/MTE
Entenda o caso
A operação foi realizada em conjunto com o Ministério Público do Trabalho (MPT) nos dias 23 e 24 de julho deste ano e resgatou 9 mulheres e 46 homens. Segundo o MTE, o trabalho análogo à escravidão foi caracterizado principalmente pela forma como os trabalhadores foram atraídos, por meio de “falsas promessas” no recrutamento, que foi por meio de intermediários chamados de “gatos” em grupos de aplicativo de mensagens.
