Trem de passageiros Sorocaba-SP prevê uso de infraestrutura federal, mas depende de leilão da Malha Oeste


Projeto do Trem Intercidades Oeste tem trecho de 11,5 km sobreposto ao da Malha Oeste em Sorocaba
Eric Mantuan/g1
O Governo do Estado de São Paulo pediu, em julho de 2025, ao governo federal o uso de parte da ferrovia Malha Oeste, em Sorocaba (SP), para a implantação do Trem Intercidades (TIC) Eixo Oeste, projeto que prevê a ligação ferroviária de passageiros entre a cidade e a capital paulista. Atualmente, a infraestrutura está praticamente desativada, mas a União deseja reabilitá-la para o transporte de cargas.
Segundo o projeto do TIC Oeste que foi para consulta pública em 2025, o governo estadual quer utilizar o antigo complexo ferroviário da região central de Sorocaba, composto pela estação de passageiros, oficinas de manutenção e pátio de manobras.
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A área, de 200 mil metros quadrados, está abandonada. Além disso, o traçado da linha de passageiros a ser construída se sobrepõe com o da Malha Oeste em quase 12 quilômetros entre Sorocaba e Brigadeiro Tobias.
“A solicitação trata exclusivamente da cessão de áreas físicas e busca reduzir custos de desapropriação e viabilizar o reaproveitamento de faixas existentes”, justifica a Secretaria de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo (SPI).
Segundo a pasta, no desenvolvimento dos estudos, o governo paulista mantém diálogo institucional com o governo federal para “avaliar alternativas técnicas que possam contribuir para maior eficiência na implantação do projeto, incluindo o possível aproveitamento de áreas federais atualmente sem uso ferroviário local”.
Porém, no fim de novembro, o Ministério dos Transportes lançou uma nova Política Nacional de Ferrovias e, entre os projetos de transporte de carga que serão leiloados em 2026, está a relicitação da Malha Oeste, ferrovia que atravessa Mato Grosso do Sul e São Paulo, indo de Corumbá (MS) a Mairinque (SP).
O Ministério dos Transportes confirmou que o Governo de São Paulo manifestou interesse em utilizar o trecho da Malha Oeste que cruza o estado para o transporte de passageiros. Contudo, de acordo com o órgão, o pedido só será analisado “após a realização do leilão, considerando a relevância estratégica da malha federal para o transporte de cargas no país”.
De acordo com informações publicadas no site da Secretaria de Parcerias e Investimentos (SPI) e do Ministério dos Transportes, o edital do TIC Oeste deve ser publicado no primeiro semestre de 2026, com leilão previsto para o segundo semestre, enquanto a Malha Oeste tem edital previsto para abril e o leilão para julho de 2026.
TIC Eixo Oeste
Segundo o projeto, os trens que atenderão ao serviço serão do tipo ‘trem tubo’, com salão contínuo e interligado, espaço reservado para cadeirantes e área multifuncional para o transporte de bagagens e bicicletas
Governo de São Paulo/Divulgação
De acordo com o governo estadual, o trajeto entre as duas cidades deverá ser percorrido em cerca de 60 minutos. O serviço contará com duas modalidades: expresso e parador. Os trens poderão atingir velocidade máxima de até 140 km/h. A previsão é que a operação comece em 2031.
O projeto passou por consultas e audiências públicas no primeiro semestre de 2025. Segundo o estado, as contribuições recebidas estão em análise pela equipe técnica e poderão ser incorporadas ao edital final da concessão.
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O serviço expresso do TIC Eixo Oeste fará a ligação direta entre São Paulo e Sorocaba, isto é, sem paradas fora das duas cidades. A expectativa é de que este trajeto seja feito em 60 minutos.
Já o serviço parador terá pontos de embarque e desembarque nas estações Sorocaba, Brigadeiro Tobias, São Roque, Amador Bueno (em Itapevi), Carapicuíba e Água Branca (na capital paulista). A expectativa é de que este trajeto seja aproximadamente cinco minutos mais longo do que o expresso.
De segunda a sexta-feira, nos horários de pico, um trem partirá de Sorocaba a cada 30 minutos com destino a Água Branca. Já nos períodos de menor demanda, conhecidos como “horários de vale”, a frequência será de um trem a cada 20 minutos.
Serviço expresso fará a ligação direta entre São Paulo e Sorocaba; já o serviço parador terá pontos de embarque e desembarque nas estações Sorocaba, Brigadeiro Tobias, São Roque, Amador Bueno (em Itapevi), Carapicuíba e Água Branca
Governo de São Paulo/Divulgação
Aos sábados, a operação priorizará o serviço parador, com partidas a cada 20 minutos durante o pico e a cada 40 minutos nos horários de vale. Aos domingos e feriados, a previsão é de que os trens circulem com intervalos de uma hora.
O investimento estimado para o projeto é de R$ 11,6 bilhões, por meio de uma parceria público-privada (PPP), com base nas diretrizes de traçado da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O montante será destinado à modernização e construção de estações, à aquisição de uma nova frota e à integração com as linhas de trens metropolitanos, metrô e o Trem Intercidades Eixo Norte.
O projeto inclui ainda:
Revitalização e reforma das estações Sorocaba e São Roque;
Construção da estação Brigadeiro Tobias;
Construção de uma nova plataforma na estação Amador Bueno e Carapicuíba;
Aquisição de uma nova frota e integração com linhas de trens metropolitanos, metrô e o TIC Eixo Norte (Campinas).
Os trens deverão operar das 5h à meia-noite. As composições deverão contar com lavabos, sistema de monitoramento, conexão wi-fi, tomadas e ar-condicionado. São algumas das exigências definidas pelo governo paulista para a futura concessionária responsável pela linha.
Segundo o projeto, os trens que atenderão ao serviço serão do tipo “trem tubo”, com salão contínuo e interligado, espaço reservado para cadeirantes, área multifuncional para o transporte de bagagens e bicicletas, e capacidade para até 470 passageiros. A expectativa é de transportar cerca de 50 mil passageiros por dia.
De acordo com o governo estadual, a tarifa para o trajeto completo será de R$ 45. No entanto, o valor será calculado de forma quilométrica, o que significa que o passageiro pagará de acordo com a distância percorrida. Quem utilizar apenas parte do trajeto pagará proporcionalmente ao trecho percorrido. Segundo o diretor, o custo por quilômetro percorrido será de R$ 0,50.
De acordo com o governo estadual, a tarifa para o trajeto completo será de R$ 45
Governo de São Paulo/Divulgação
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