Imagine que, sob seus pés, a milhares de quilômetros de profundidade, repousam os restos de um mundo alienígena que colidiu conosco em um impacto apocalíptico. O mistério sobre as manchas densas no coração do nosso planeta foi finalmente resolvido: temos pedaços de outro planeta enterrados perto do núcleo da Terra, transformando nossa casa em um verdadeiro mundo híbrido.
Como esses pedaços de outro planeta chegaram até o núcleo?
Há cerca de 4,5 bilhões de anos, um protoplaneta do tamanho de Marte, chamado Theia, chocou-se violentamente contra a Terra primitiva. Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia demonstraram, através de simulações avançadas, que o impacto fundiu parte dos dois mundos, mas o material mais denso de Theia afundou.
O estudo publicado na revista Nature revela que esses destroços não se misturaram completamente, acumulando-se logo acima do núcleo externo terrestre. Essas massas são conhecidas como Grandes Províncias de Baixa Velocidade de Cisalhamento, estruturas gigantescas que desafiam a lógica da geologia tradicional.

Qual é o tamanho real dessas anomalias no manto terrestre?
Essas estruturas colossais são maiores que o continente da Antártida e possuem densidade significativamente superior à do manto que as cerca. Localizadas sob a África e o Oceano Pacífico, funcionam como bolsões massivos que influenciam o fluxo de calor e o magnetismo do planeta.
A análise geofísica identificou características únicas que diferenciam esses fragmentos do restante do interior terrestre:
- Volume que representa até 6% de toda a massa do manto terrestre, indicando a escala monumental da colisão.
- Composição química rica em ferro, herdada diretamente do núcleo do antigo planeta Theia, explicando sua densidade extrema.
Leia também: Essa sonda revelou que Plutão não é uma rocha morta mas, um mundo com geologia ativa que nunca para de mudar
Como os geólogos conseguem enxergar algo tão profundo?
Como é impossível cavar até o centro da Terra, os cientistas utilizam ondas sísmicas geradas por terremotos como se fossem um ultrassom gigante. Ao observar que essas ondas ficam mais lentas ao atravessar certas regiões, eles mapeiam com precisão onde estão os fragmentos enterrados.
Esse mapeamento revelou que as bolhas de Theia têm bordas nítidas e se mantêm estáveis há bilhões de anos, apesar do movimento constante do manto. É como se o interior da Terra guardasse um registro fóssil geológico de um evento ocorrido no nascimento do sistema solar.

O que essa descoberta revela sobre a formação do nosso planeta?
A modelagem de dinâmica de fluidos provou que o manto da Terra não estava quente o suficiente para derreter e misturar completamente esses pedaços alienígenas. Isso resolve dois enigmas científicos de forma simultânea, como mostra a tabela abaixo:

Esses fragmentos confirmam que a Lua foi formada pelos detritos mais leves ejetados ao espaço, enquanto o restante de Theia ficou preso nas profundezas terrestres para sempre.
Qual a importância dessa descoberta para o futuro da ciência?
Entender a presença de material alienígena no interior do planeta ajuda a explicar como a Terra se tornou habitável e geologicamente ativa. Essas massas profundas podem influenciar desde a movimentação das placas tectônicas até as erupções vulcânicas massivas ao longo das eras.
Ao estudar esses fragmentos, os especialistas conseguem prever melhor o comportamento do campo magnético e da evolução térmica global. O impacto de Theia não destruiu a Terra, ele a moldou para se tornar o único lar conhecido da vida no universo.
O post Geólogos confirmam que 2 pedaços gigantes de outro planeta estão enterrados perto do núcleo da Terra apareceu primeiro em BM&C NEWS.
