Estado de SP descarta intoxicação por metanol na morte de adolescente venezuelana


Soffia Del Valle Torrealba Ramos
Arquivo Pessoal
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo descartou que a causa da morte da adolescente venezuelana Soffia Del Valle Torrealba Ramos, de 15 anos, tenha sido intoxicação por bebida com metanol.
A TV Globo apurou que a hipótese de intoxicação por metanol foi descartada pela ausência de acidose, sendo o quadro clínico compatível com intoxicação grave por medicamento controlado.
A suspeita surgiu após a ficha médica do hospital, para onde ela foi levada, apontar possível consumo de bebida adulterada como causa da morte. Com isso, a Polícia Civil passou a investigar se a garota foi intoxicada por metanol. O caso foi registrado como morte suspeita a esclarecer pelo 54º Distrito Policial (DP), Cidade Tiradentes, Zona Leste, .
Além do caso de Soffia, outros 563 também foram descartados para metanol. Atualmente, quatro óbitos permanecem sob investigação, sendo: um em Guariba, de um paciente de 39 anos, um de São José dos Campos, de 31 anos, e dois de Cajamar, de 29 e 38 anos.
No total, são 51 casos confirmados para intoxicação por metanol no estado de São Paulo, sendo 11 mortes. O caso confirmado com a vítima mais jovem em São Paulo é o de uma adolescente de 16 anos, moradora do bairro do Itaim Bibi, ocorrido no dia 7 de agosto.
As vítimas que morreram são:
Ricardo Lopes Mira, de 54 anos, morador da cidade de SP
Marcos Antônio Jorge Júnior, de 46 anos, morador da cidade de SP
Marcelo Lombardi, de 45 anos, morador da cidade de SP
Bruna Araújo, de 30 anos, moradora de São Bernardo do Campo
Daniel Antonio Francisco Ferreira, de 23 anos, morador de Osasco
Leonardo Anderson, de 37 anos, morador de Jundiaí
Cleiton da Silva Conrado , de 25 anos, morador de Osasco
Rafael Anjos Martins, de 27 anos, morador da cidade de SP
Jhenifer Carolina dos Santos Gomes, de 27 anos, moradora de Osasco
Felipe Henrique Alves da Silva, de 26 anos, morador de Sorocaba
Eduardo Barbosa, de 62 anos, morador de São Bernardo do Campo
Testemunhas relataram que a adolescente passou mal depois de beber gin comprado por amigos dela, na quinta-feira (1º), numa adega, que fica em Cidade Tiradentes.
Na segunda-feira (5), policiais prenderam o dono do estabelecimento por ligação clandestina de energia elétrica e armazenamento irregular de fogos de artifício. Foram apreendidas diversas garrafas de bebidas destiladas, como uísque, gin, rum e vodka.
Em nota enviada nesta quarta-feira (7), a Secretaria Municipal da Saúde da cidade de São Paulo, por meio da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), também informou que “para o caso envolvendo a paciente S.D.V.T.R. foi descartada intoxicação por metanol.”
🔍 O metanol é um álcool usado industrialmente em solventes e outros produtos químicos. É altamente perigoso quando ingerido. Inicialmente, ataca o fígado, que o transforma em substâncias tóxicas que comprometem a medula, o cérebro e o nervo óptico, podendo causar cegueira, coma e até a morte. Também pode provocar insuficiências pulmonar e renal.
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Prisões e apreensões
A Polícia Civil de São Paulo, por meio do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), informou que segue com as investigações para identificar toda a cadeia de produção e distribuição de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol no estado.
Desde o surgimento dos primeiros episódios de contaminação por metanol, 46 pessoas foram presas por envolvimento na falsificação e adulteração de bebidas, totalizando 66 prisões em 2025.
Ainda conforme a polícia, as ações resultaram ainda na apreensão de 140 mil vasilhames, 22,5 mil garrafas e 481,5 mil itens utilizados na falsificação, como rótulos e lacres.
Segundo o Instituto de Criminalística, em 149 apurações concluídas com 1055 garrafas, a presença de metanol foi confirmada em oito apurações, sendo 19 garrafas com a substância.
Polícia de São Paulo investiga mais duas mortes por suspeita de intoxicação por metanol
Sintomas e atendimento
A recomendação do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo é que bares, empresas e demais estabelecimentos redobrem a atenção quanto à procedência dos produtos oferecidos.
Os sintomas podem incluir ataxia, sedação, desinibição, dor abdominal, náuseas, vômitos, cefaleia, taquicardia, convulsões e visão turva, principalmente após ingestão de bebidas de procedência desconhecida.
Em caso de suspeita, é fundamental buscar atendimento médico de emergência. A população pode localizar o serviço mais próximo pela plataforma https://buscasaude.prefeitura.sp.gov.br/.
O Centro de Controle de Intoxicações (CCI-SP) também oferece apoio para diagnóstico e orientação pelos telefones (11) 5012-5311 e 0800 771 3733.
Infográfico: o impacto do metanol no corpo humano.
Arte/g1
Governo de São Paulo cria força-tarefa para apurar intoxicação por metanol
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