Estoques de sangue entram em nível crítico no Rio de Janeiro

Hemorio, no Centro do Rio de Janeiro, enfrenta queda nos estoques e intensifica apelo por doações para abastecer hospitais públicos do estado.Divulgação

Os estoques de sangue no estado do Rio de Janeiro chegaram a um patamar considerado crítico e já pressionam a rotina de hospitais públicos. O Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti (Hemorio), responsável pelo abastecimento de cerca de 90 unidades da rede pública, opera atualmente com volume muito abaixo do necessário para atender à demanda.

De acordo com dados divulgados pelo próprio Hemorio, o déficit é de aproximadamente 42% em relação ao nível ideal. A situação foi agravada durante o período de férias e festas de fim de ano, quando tradicionalmente há redução no número de doadores.

O cenário também preocupa o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), referência nacional em saúde materno-infantil. Segundo a instituição, os estoques internos estão cerca de 30% abaixo do recomendado, o que já interfere no planejamento de atendimentos e procedimentos hospitalares.

Risco para cirurgias e atendimentos de emergência

A gestora da Hemoterapia do IFF/Fiocruz, Cristina Pessoa, explica que a transfusão de sangue é indispensável para a assistência hospitalar moderna, especialmente em casos de maior complexidade.

“A medicina moderna depende da transfusão de sangue para salvar vidas. Atendemos crianças em estado grave nas UTIs pediátrica e neonatal, gestantes com complicações hemorrágicas e pacientes cirúrgicos que precisam de reserva de sangue para procedimentos seguros”, afirma.

Segundo a especialista, a escassez pode levar desde o adiamento de cirurgias eletivas até dificuldades em atendimentos emergenciais, como vítimas de acidentes e hemorragias agudas. “Não é possível colocar um paciente em centro cirúrgico sem a segurança de que haverá sangue disponível caso ocorra sangramento”, alerta.

Sangue tipo O é o mais demandado

Campanha de doação de sangue reforça orientações para doadores e alerta para a importância de manter os estoques em nível seguro nos hospitais públicos.Divulgação

Entre os hemocomponentes, o sangue do tipo O é apontado como um dos mais necessários, por ser amplamente utilizado em situações de emergência, quando não há tempo para a tipagem completa do paciente.

“Precisamos manter reservas importantes, especialmente do tipo O. Sem isso, cirurgias podem ser suspensas e o risco à vida aumenta”, explica Cristina Pessoa. Segundo ela, a demanda é imprevisível e coletiva.

Mobilização para reforçar os estoques

Diante do cenário crítico, o IFF/Fiocruz intensificou ações de mobilização para estimular a doação voluntária de sangue. A instituição atua como agência transfusional e depende diretamente do Hemorio para o recebimento das bolsas utilizadas na assistência hospitalar.

Além da sede do hemocentro, no Centro do Rio de Janeiro, o Hemorio mantém postos móveis de coleta. A agenda semanal é divulgada nos canais oficiais da instituição, incluindo site e redes sociais, com ações em diferentes regiões da capital e da Região Metropolitana.

Quem pode doar sangue

Para doar sangue, é necessário:

  • Ter entre 16 e 67 anos;
  • Pesar, no mínimo, 50 kg;
  • Estar em boas condições de saúde;
  • Apresentar documento oficial de identidade com foto.
  • Jovens de 16 e 17 anos podem doar mediante autorização dos pais ou responsáveis legais. Não é necessário estar em jejum, mas recomenda-se evitar alimentos gordurosos nas três horas que antecedem a doação.

O atendimento no Hemorio ocorre de segunda-feira a domingo, inclusive feriados, das 7h às 18h (horário de Brasília). Informações sobre postos móveis de coleta podem ser consultadas nos canais oficiais do hemocentro.

Com os estoques em nível crítico, o IFF/Fiocruz reforça que a participação da população é fundamental para garantir a continuidade de cirurgias, atendimentos de urgência e o cuidado integral de bebês, crianças, adolescentes e mulheres.

“A recuperação dos estoques depende de um movimento coletivo. Precisamos que as pessoas compareçam ao Hemorio ou aos postos de coleta. É um gesto simples, rápido e que salva vidas”, conclui Cristina Pessoa.

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