
Polícia descobre sedes fantasmas de empresas em cidades do Oeste Paulista
Moradores e proprietários afirmaram que não sabiam que os imóveis em Santo Anastácio, Martinópolis e Presidente Vensceslau, no interior de SP, eram possivelmente usados em “empresas fantasmas” pelo Primeiro Comando da Capital (PCC)
As informações foram divulgadas pelo delegado Ramon Guarnieri Pedrão, que atua nas investigações. A operação que prendeu Deolane Bezerra foi realizada pela Central de Polícia Judiciária de Presidente Venceslau e Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) – Núcleo de Presidente Prudente.
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Segundo a Polícia Civil, todo o material recolhido durante o cumprimento dos mandados vai para um local, de acordo com a natureza do crime. Parte dos documentos será analisada na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Presidente Venceslau.
Outros documentos ficarão em São Paulo, principalmente aqueles que precisam de uma extração de dados mais aprofundada, como equipamentos eletrônicos. Também há aqueles que ficam retidos em cofres, neste primeiro momento.
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Endereço “fantasma” utilizado pelo PCC em Martinópolis (SP)
Aceituno Jr./ TV TEM
Endereços fantasmas
A TV TEM esteve no endereço em Martinópolis, no bairro residencial Parque das Acácias, e não havia nenhuma identificação da DB Santos Apoio Administrativo e Financeiro, a empresa apontada como localizada no local, conforme apurado pela Rede Globo.
Além disso, o endereço de Martinópolis teria ao menos 35 empresas registradas, o que levantou suspeitas dos investigadores, conforme o Gaeco de Presidente Prudente.
Em Santo Anastácio, a mesma situação: o imóvel que abrigaria a empresa é, na realidade, uma casa. Nestes dois locais, havia 41 empresas cadastradas. Já em Presidente Venceslau, além da transportadora no Distrito Industrial III, há um endereço, que também é em um loteamento, citado nas investigações.
Os imóveis investigados constam no material recolhido durante o cumprimento dos mandados pela Polícia Civil.
Início das investigações
As investigações tiveram início após requisição do Gaeco à Polícia Civil para apurar os crimes de integrar organização criminosa e lavagem de capitais atribuídos a:
Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola;
Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior;
Deolane Bezerra Santos;
Everton de Souza;
Paloma Sanches Herbas Camacho; e
Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, entre outros investigados.
Segundo a Polícia Civil, esta é a terceira fase de uma cadeia investigativa encadeada e decorre diretamente de duas apurações anteriores, que comprovaram a atuação dos envolvidos em um esquema de lavagem de capitais em benefício da facção criminosa.
A primeira investigação começou em julho de 2019, após a apreensão de manuscritos com integrantes da facção que estavam na Penitenciária II de Presidente Venceslau.
Deolane Bezerra chega à penitenciária de Tupi Paulista, na região oeste do estado
Aceituno Jr./TV TEM
Conforme divulgado pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) nesta quinta-feira (21), o grupo criminoso teria estruturado ao menos 35 empresas de fachada para ocultar patrimônio e movimentar recursos ilícitos.
Os documentos revelaram a existência de uma transportadora instalada no município, utilizada como empresa de fachada para lavagem de dinheiro sob o comando da liderança máxima da organização criminosa.
Após a apreensão, a investigação passou a rastrear conexões financeiras e empresariais do bando, identificando dois irmãos do líder da facção como peça central do esquema.
Os manuscritos também mencionavam uma “mulher da transportadora”, responsável por levantar endereços de agentes públicos para a execução de atentados.
A segunda investigação deu origem à Operação Lado a Lado, que identificou a empresa como Lopes Lemos Transportes Ltda., de nome fantasia “Lado a Lado Transportes”, instalada em um imóvel ao lado da Penitenciária II de Presidente Venceslau.
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