Influenciadora relata proposta paga ligada ao Banco Master

Nathalia Arcuri é influenciadora digital e criadora do canal Me Poupe!Reprodução/Instagram

A influenciadora de educação financeira Nathalia Arcuri afirmou ter recebido uma proposta paga relacionada ao caso envolvendo o Banco Master, que previa a participação em um almoço com o presidente do Banco BRB e a produção de conteúdos para redes sociais após uma apresentação sobre o episódio.

Segundo capturas de tela compartilhadas pela influenciadora, o convite foi enviado por e-mail nesta terça-feira (27) e incluía remuneração mediante nota fiscal, além de exigências de entrega de publicações digitais.

Você já deve ter visto outros influenciadores de Finanças publicando o tal ‘convite’”, escreveu Nathalia Arcuri em uma publicação nas redes sociais. Em seguida, afirmou que pedidos semelhantes são recorrentes e que esse tipo de abordagem ocorre com frequência no mercado.

Proposta menciona o Caso Master

O e-mail, reproduzido nas imagens da publicação, tem como assunto “Orçamento Banco BRB – URGENTE – NATHALIA ARCURI” e foi enviado ao endereço de parcerias da empresa Me Poupe!, da influenciadora. Na mensagem, o Banco BRB é identificado como cliente da ação.

O texto informa que o presidente da instituição, Nelson Antonio de Souza, gostaria de convidar Nathalia para um almoço em São Paulo, ao lado de outros influenciadores, “com a finalidade de falar do Caso Master e mostrar a transparência que o BRB quer passar para seus clientes e o mercado”.

Segundo o e-mail, a equipe técnica do banco apresentaria informações “sobre o que realmente está acontecendo”.

E-mail detalha convite do Banco BRB para encontro com influenciadores sobre o Caso MasterReprodução/Instagram

Ainda segundo o conteúdo do e-mail, o objetivo do encontro seria permitir que os convidados divulgassem, de forma “transparente e objetiva”, as informações recebidas junto aos seus seguidores.

A proposta previa a produção de stories e um reels com resumo do evento, além da presença no almoço.

O documento também detalha a cessão de direito de uso de imagem para repostagens nas redes da marca e para impulsionamento por 30 dias, além da exigência de seguir briefing fornecido pelo banco, incluir hashtags e marcações da campanha e enviar métricas de desempenho em até 48 horas.

  • LEIA TAMBÉM: CPMI do INSS convoca dono do Banco Master para depor

Quando aconteceria o encontro

O almoço estava previsto para ocorrer nos dias 10 ou 24 de fevereiro, em São Paulo, em local ainda a definir, das 12h às 14h. O pagamento seria realizado em até 40 dias, mediante emissão de nota fiscal após a assinatura de contrato. Nenhum valor foi informado no e-mail.

Na publicação, Nathalia Arcuri afirmou que propostas desse tipo são recusadas por sua equipe e que a mensagem sequer chegou diretamente até ela.

Segundo o texto, o objetivo do relato foi expor o contexto em que convites pagos são utilizados para divulgar versões institucionais em meio a crises financeiras.

Quando um banco envolvido em escândalo precisa pagar influenciadores para ‘explicar a verdade’, o problema não é de comunicação. É de conduta”, finalizou Nathalia.

O iG procurou o Banco BRB para confirmar o envio do convite a influenciadores e esclarecer os objetivos da iniciativa relacionada ao caso envolvendo o Banco Master. Até a publicação desta reportagem, a instituição não havia se manifestado.

Ataques ao Banco Central

O relato acontece em meio às discussões sobre a atuação de influenciadores em casos envolvendo instituições financeiras.

Nesta semana, a Polícia Federal abriu um inquérito para apurar a suspeita de um ataque orquestrado ao Banco Central (BC) por meio das redes sociais, após a instituição ter liquidado o Banco Master, segundo a Agência Brasil.

A investigação foi instaurada após denúncias de influenciadores digitais, que afirmaram ter sido abordados com propostas financeiras para gravar vídeos críticos ao BC.

Um dos relatos foi feito por Rony Gabriel, vereador de Erechim, no Rio Grande do Sul, pelo PL. Segundo o vereador, a proposta envolvia questionar a liquidação da instituição e colocar em dúvida a credibilidade do Banco Central.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.