O lugar mais profundo da Terra fica a quase 11 mil metros no oceano e esmaga tudo com o peso de 50 Boeing 747 por metro quadrado

Descer ao ponto mais fundo do oceano significa entrar em um ambiente onde a água vira uma força esmagadora. No Challenger Deep, na Fossa das Marianas, a profundidade chega a 10.984 metros e apenas 27 pessoas conseguiram chegar lá.

Onde fica o ponto mais profundo do oceano?

O Challenger Deep fica no extremo sul da Fossa das Marianas, no oeste do Oceano Pacífico, entre as Ilhas Marianas e as Filipinas. A depressão se estende por cerca de 2.540 quilômetros, formando uma cicatriz tectônica no fundo do mar.

Segundo a Wikipedia, o ponto atinge aproximadamente 10.984 metros de profundidade. Em escala visual, isso significa que o Monte Everest caberia ali dentro e ainda ficaria coberto por mais de 2 quilômetros de água.

A Placa do Pacífico mergulha sob a Placa das Filipinas a uma taxa de 2,5 centímetros por ano, forçando a crosta oceânica para baixo e criando vulcões submarinos e fontes hidrotermais na região

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Como o oceano criou uma fenda tão profunda?

A origem da Fossa das Marianas está na subducção, processo em que uma placa tectônica mergulha sob outra. Nesse caso, a Placa do Pacífico afunda sob a Placa das Filipinas, puxando a crosta oceânica para baixo ao longo de milhões de anos.

De acordo com a Wikipedia, esse movimento ocorre a uma taxa aproximada de 2,5 centímetros por ano. A mesma dinâmica ajuda a formar vulcões submarinos, fontes hidrotermais e áreas geologicamente ativas no fundo do oceano.

Placa do Pacífico mergulha e forma a Fossa das Marianas

Por que o oceano esmaga como 50 Boeing 747?

No Challenger Deep, a pressão passa de 1.100 vezes a pressão atmosférica ao nível do mar. A comparação usada para traduzir essa força é brutal: o peso de cerca de 50 Boeing 747 distribuído sobre cada metro quadrado.

Essa pressão destruiria estruturas comuns quase instantaneamente. Para sobreviver nesse ambiente, veículos tripulados precisam de cápsulas esféricas, materiais especiais e sistemas desenhados para resistir a deformações extremas.

Quais desafios tornam a descida tão rara?

A dificuldade de chegar ao ponto mais profundo não está apenas na distância vertical. A combinação de pressão, frio, escuridão e comunicação limitada transforma cada mergulho em uma operação de risco técnico altíssimo.

Os principais obstáculos da descida podem ser organizados assim:

Desafio Condição extrema Solução necessária
Pressão 1.100 atmosferas Cápsula esférica de alta resistência
Escuridão Ausência de luz solar Iluminação potente e câmeras sensíveis
Temperatura Entre 1 °C e 4 °C Isolamento térmico reforçado
Comunicação Sinal limitado em grande profundidade Sistemas acústicos especializados

Quem chegou ao fundo do oceano antes?

A exploração tripulada do Challenger Deep começou com o batiscafo Trieste, em 1960, levando Don Walsh e Jacques Piccard. Décadas depois, James Cameron, Victor Vescovo e Dawn Wright ajudaram a ampliar a presença humana na zona hadal.

A cronologia básica dessas expedições mostra por que apenas um grupo tão pequeno voltou desse ponto extremo:

  • 1875: o HMS Challenger mede a profundidade da região com cordas lastradas
  • 1960: o Trieste realiza o primeiro mergulho tripulado ao fundo
  • 2012: James Cameron desce sozinho no Deepsea Challenger
  • 2019: Victor Vescovo atinge grande profundidade no DSV Limiting Factor
  • 2022: Dawn Wright visita o local em missão da Caladan Oceanic

Que vida existe nesse oceano sem luz?

Durante muito tempo, parecia improvável que organismos sobrevivessem abaixo de 6.000 metros. Hoje, a zona hadal é conhecida por abrigar anfípodes, pepinos-do-mar, microrganismos e peixes-caracol adaptados à pressão extrema.

Segundo estudo publicado no PubMed Central, amostras da região revelaram mais de mil unidades taxonômicas virais previamente desconhecidas. Isso mostra que até formas microscópicas colonizam ambientes onde luz solar, calor e pressão seguem regras totalmente diferentes da superfície.

Para você ter uma noção exata da dimensão assustadora desse local, selecionamos um material especial do canal JAES Company Português, que possui mais de 633 mil inscritos. No vídeo a seguir, mergulhe nos mistérios e na física implacável das trincheiras oceânicas:

Como a poluição chegou ao lugar mais remoto da Terra?

Nem mesmo o ponto mais fundo escapou da marca humana. Segundo a NOAA, registros no fundo da Fossa das Marianas já apontaram lixo descartável, incluindo materiais plásticos, em áreas profundas do ambiente marinho.

Também foram encontrados compostos químicos persistentes em organismos da região, sinal de que partículas e poluentes viajam por correntes, sedimentos e cadeias alimentares. O lugar mais inacessível do planeta acabou revelando uma consequência direta do consumo na superfície.

O que a Fossa das Marianas revela sobre os limites da Terra?

A Fossa das Marianas mostra que a Terra ainda guarda fronteiras físicas quase inacessíveis. Mesmo com satélites, sensores e submersíveis modernos, o ponto mais profundo continua sendo um ambiente onde cada visita exige engenharia extrema.

Ao mesmo tempo, o Challenger Deep revela uma contradição difícil de ignorar: a vida consegue resistir onde quase tudo seria esmagado, mas a poluição humana também chega onde quase ninguém consegue ir. O abismo é científico, tecnológico e ambiental ao mesmo tempo.

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