
Um professor universitário da Universidade Federal Minas Gerais (UFMG) foi acusado de discriminação contra um cadeirante. O caso aconteceu em um restaurante de Belo Horizonte, na última quinta-feira (12), e vem ganhando grande repercussão nas redes sociais. A Polícia Civil investiga o caso.
A vítima, identificada como Pedro Edson Cabral Vieira, possuí parkinsonismo, doença degenerativa om um conjunto de distúrbios neurológicos caracterizados por sintomas motores semelhantes à Doença de Parkinson.
A esposa de Pedro, Juliana Duarte, é chefe de cozinha e proprietária do restaurante onde foi registrado a ocorrência. Ela compartilhou a história no Instagram do estabelecimento.
De acordo com a chefe, o professor estava em um bar e estacionou o carro na frente de uma rampa para cadeirante. Ela foi pedir para ele retirar o veículo e o questionou se ele “não tinha vergonha” por parar o carro em um local proibido.
O homem então respondeu que não e após retirar o carro disse “Tchau, cadeirante! Tomara que você ande muito por aí.”
Em conversa ao iG, Juliana afirmou que ficou assustada e que não esperava que alguém tratasse o marido daquela forma.
Duas horas depois, o professor foi ao restaurante, e em direção de Juliana, começou a ofender mais uma vez o cadeirante, dizendo ” E aí, ele já voltou a andar?”. A vítima já não estava mais no local.
“Uma atitude violenta, ele viu que eu estava sozinha, fiquei perplexa. Se fosse um homem ali ele não teria essa atitude, essa coragem, ele voltou depois de duas horas só para falar aquilo para mim, meu marido nem estava mais lá”, explica a chefe de cozinha.
Juliana foi à delegacia e fez um boletim de ocorrência contra o professor. O caso foi registrado como Denúncia de Infrações de Discriminação. O suspeito foi identificado como Pedro Benedito Casagrande, de 39 anos. Ele é professor da Escola de Engenharia da UFMG e é investigado sob suspeita de discriminação.
Em nota, a Universidade confirmou que recebeu a denúncia sobre o caso e que segue a tramitação administrativa para apurar os fatos. A UFMG também reforçou que não tolera qualquer conduta discriminatória e que se soma à rede de solidariedade em torno da vítima e dos familiares.
Ainda durante a conversa com o iG, Juliana afirmou não acreditar que alguém seja capaz de ter uma atitude dessa, mas que dessa fez transformou a dor em uma atitude para ajudar outras pessoas que já sofreram com situações como essa.
“São muitas camadas, primeiro sentimento é de perplexidade, não acredito que alguém seja capaz de cometer algo, tanto ao meu marido quanto a mim, nunca imaginei que poderia acontecer isso, sei da violência contra mulher, mas contra um cadeirante também, desumano, assustador, tristeza, a imagem dele vindo em minha direção não sai da minha cabeça. Estou transformando essa dor em atitude para solidarizar com quem passou por isso também. E sou otimista, que essa repercussão ajude as pessoas e que o poder publico discuta com seriedade as questões de violência e de mobilidade”, finaliza.
O portal iG tentou contato com o professor, mas, até a publicação desta reportagem, não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
