Escondida sob a floresta densa por 2.500 anos, a metrópole perdida descoberta por laser revela que a Amazônia abrigou uma civilização antiga maior e mais complexa que a Grécia

Escondida sob a floresta densa por 2.500 anos, a metrópole perdida descoberta por laser revela que a Amazônia abrigou uma civilização antiga maior e mais complexa que a Grécia

Por milênios, a floresta amazônica escondeu um segredo monumental. Usando tecnologia laser, arqueólogos revelaram uma vasta rede de cidades antigas no vale do rio Upano, no Equador. A civilização amazônica de 2.500 anos abrigou entre 10 mil e 100 mil pessoas, com estradas retas, plataformas cerimoniais e planejamento urbano sofisticado, desafiando tudo o que se sabia sobre a ocupação pré-colombiana da região.

Onde e como foi feita a descoberta?

O sítio arqueológico fica no vale do rio Upano, na Amazônia equatoriana, a leste dos Andes. A confirmação veio com o uso da tecnologia LiDAR, que escaneou 300 km² de floresta e removeu virtualmente a vegetação.

Segundo a BBC News, os arqueólogos Stephen Rostain e Antoine Dorison lideraram os trabalhos que duraram 25 anos. Foram identificadas mais de 6 mil plataformas retangulares organizadas em torno de praças, conectadas por uma rede de estradas retas.

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A confirmação veio com o uso da tecnologia LiDAR, que escaneou 300 km² de floresta e removeu virtualmente a vegetação

Qual a idade e a escala dessa civilização?

A cidade foi construída por volta de 500 a.C. e ocupada até 600 d.C., mesma época do apogeu da Grécia clássica. Foram identificados 15 assentamentos interligados por estradas, uma delas com 25 km de extensão.

As plataformas de terra mediam cerca de 20 por 10 metros e tinham 2 a 3 metros de altura. Uma estrutura em Kilamope chamou a atenção: uma plataforma de 140 por 40 metros, possivelmente de uso cerimonial.

A tabela abaixo resume os principais números da descoberta:

🗿 A Megalópole Maia Revelada

Impacto dos dados na compreensão da civilização na selva

🏛 Infraestrutura Massiva

Plataformas e Assentamentos

As mais de 6.000 plataformas indicam casas, palácios e centros cerimoniais. Isso prova que os maias não viviam apenas em centros isolados, mas em um tecido urbano contínuo e altamente organizado.

🛣 Engenharia de Conexão

Estrada de 25 km

A presença de calçadas elevadas (sacbeob) de até 25 km permitia o comércio e a movimentação militar mesmo durante as épocas de chuvas intensas, conectando cidades distantes eficientemente.

👥 Explosão Demográfica

Uma população que pode ter chegado a 100 mil pessoas em apenas uma região exige uma agricultura industrial. Os dados revelaram milhares de canais de irrigação e campos de cultivo em terraços, mostrando que os maias alteraram a paisagem da floresta tropical em escala industrial para sustentar seu povo.

O que torna essa civilização complexa?

O nível de planejamento urbano é o que mais surpreende os arqueólogos. As plataformas formam conjuntos em torno de praças, sugerindo uma sociedade hierarquizada. A rede de estradas retas com ângulos precisos mostra conhecimento avançado de engenharia.

Os principais fatores que indicam complexidade social são:

  • Planejamento urbano: ruas ortogonais e plataformas monumentais.
  • Infraestrutura agrícola: canais de drenagem e solos modificados.
  • Rede de estradas: vias de longa distância conectando assentamentos.
  • Hierarquia social: plataformas maiores para fins cerimoniais.
  • Densidade populacional: dezenas de milhares de habitantes.
As plataformas formam conjuntos em torno de praças, sugerindo uma sociedade hierarquizada. A rede de estradas retas com ângulos precisos mostra conhecimento avançado de engenharia

Essa civilização era maior que a Grécia?

A Grécia antiga tinha entre 1 e 3 milhões de habitantes, com Atenas chegando a 300 mil. A civilização do Upano, com 10 a 100 mil pessoas, não supera a Grécia em números absolutos.

Mas a comparação faz sentido pelo nível de complexidade. Stephen Rostain, chefe da pesquisa, afirma: “Isso mostra que as pessoas antigas viviam em complexas sociedades urbanas”. José Iriarte, da Universidade de Exeter, compara a descoberta a encontrar “outra civilização como a maia”.

descoberta do vale do Upano mostra que a Amazônia, longe de ser uma floresta intocada, foi moldada por mãos humanas por milênios

O que ainda falta saber?

Os arqueólogos ainda não sabem como se chamavam essas pessoas, que língua falavam ou o que causou o abandono das cidades no século VII d.C. A próxima etapa é mapear uma área adjacente de 300 km² que ainda não foi examinada.

A descoberta do vale do Upano mostra que a Amazônia, longe de ser uma floresta intocada, foi moldada por mãos humanas por milênios. E que ainda há muito a ser revelado sob a copa das árvores.

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