
O Brasil é considerado um dos maiores exportadores de cocaína do mundo com destino a mercados como Europa, Ásia e África. Em 2025, a Receita Federal apreendeu 80 toneladas de drogas no país, o número mais alto dos últimos 10 anos. Somente de cocaína foram aproximadamente 18 toneladas.
Em 2024, foram apreendidas quase 70 toneladas de drogas, sendo quase 14 toneladas de cocaína. Já em 2023 e 2022, a média ficou em 35 toneladas, menos da metade do total apreendido no ano passado.

Nos últimos 10 anos, a Receita Federal apreendeu aproximadamente 476 toneladas de drogas em portos, aeroportos e fronteiras brasileiras, sendo a maior parte composta por cocaína e maconha.
A distribuição de drogas ocorre por meio de diferentes modalidades de transporte, utilizando rotas terrestres, aéreas e fluviais.
Rotas terrestres
As rotas mais utilizadas para o tráfico no Brasil são as rodovias federais e têm como objetivo abastecer grandes centros urbanos e alcançar os portos voltados à exportação.
Em entrevista ao iG, o subsecretário de Integração da Segurança Pública de Minas Gerais, Christian Vianna de Azevedo, explicou que as principais rotas terrestres são as que circulam ou se originam nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná.
Ainda segundo o subsecretário, a BR-174 também é importante, já que liga Rondônia, Mato Grosso e o Arco Norte, que é um complexo logístico formado por portos localizados nos estados do Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Maranhão. Atualmente, responde por cerca de 40% a 45% de toda a movimentação portuária de grãos e minerais do Brasil.

Além disso, um dos principais trajetos utilizados é a “rota caipira”, formada pela malha rodoviária do interior de São Paulo, por onde circulam cerca de 70% das drogas apreendidas no Brasil. Os entorpecentes entram no país pelas fronteiras das regiões Centro-Oeste e Sul, atravessam o interior paulista e seguem em direção a portos, aeroportos e grandes centros urbanos.
Os estados que concentram as maiores apreensões de drogas são Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. E todos os estados que fazem fronteira com Colômbia, Peru e Bolívia, que são os únicos países que produzem cocaína no mundo.
Rotas aéreas
Outra modalidade para o transporte de drogas são as aerovias, que utilizam muitas pistas de aterrissagem clandestinas.
Como a maior parte das drogas entra no Brasil pela Bolívia e pelo Paraguai, os traficantes costumam utilizar aviões monomotores para o transporte dos entorpecentes. Com autonomia de cerca de mil quilômetros, essas aeronaves conseguem chegar a regiões do interior de São Paulo, ao Triângulo Mineiro, em Minas Gerais, e aos estados de Goiás e Tocantins, utilizando pistas clandestinas. A partir desses pontos, a droga é distribuída para outras regiões do país.
Nessa modalidade, também não podemos deixar de citar as redes de transporte na Amazônia. Cinco grandes afluentes do Rio Amazonas têm origem na Cordilheira dos Andes, conectando áreas produtoras de cocaína aos centros urbanos, como Manaus, na Amazônia, que, com um aeroporto internacional e um porto com capacidade para navios transatlânticos, se tornou um ponto estratégico.
Até o início dos anos 2000, o governo brasileiro possuía pouco controle sobre o espaço aéreo da Amazônia, permitindo que os traficantes de cocaína utilizassem mais livremente as rotas aéreas.
A partir de 2002, o governo brasileiro implementou o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) e o Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta IV) com o objetivo de aumentar a capacidade de interceptação de voos ilegais.
Apesar de reduzir significativamente os voos ilegais, a política de interdição aérea resultou em um deslocamento do tráfico para as rotas fluviais.
Rotas Fluviais
Com as dificuldades de transportar drogas nas rotas aéreas, o crime organizado migrou o transporte do ar para os rios amazônicos e bacias do Centro-Sul, utilizando a extensa malha de hidrovias que o país tem.
De acordo com Christian Vianna, os modais fluviais são importantíssimos, principalmente na região norte do país, no Rio Paraná e na região sudeste-sul.

Saída pelos portos
O Porto de Santos, no litoral de São Paulo, lidera historicamente as apreensões de drogas no Brasil, concentrando cerca de 40% de toda a cocaína interceptada pela Receita Federal no país. Outros grandes polos de saída incluem o Porto de Paranaguá, no Paraná, e os terminais de Santa Catarina, como Imbituba.
Porém, de acordo com o subsecretário de Integração da Segurança Pública de Minas Gerais, Christian Vianna de Azevedo, as forças-tarefas criadas em conjunto com a Polícia Federal, a Receita Federal, órgãos aduaneiros, autoridades portuárias e ações de inteligência fizeram com que as apreensões de drogas no Porto de Santos caíssem ano após ano, levando os traficantes a mudarem suas rotas.
Assim que chega na Europa, grande parte da cocaína é exportada para o Oriente Médio, Ásia Central, Península Arábica, Oceania, que são destinos onde o lucro é muito maior.
Outra rota utilizada na exportação de drogas é o Corredor Bioceânico, que conecta o Oceano Atlântico ao Pacífico, unindo Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
