
Abdollah Nekounam, embaixador do Irã no Brasil, agradeceu publicamente, nesta segunda-feira (2) o apoio do governo brasileiro, que condenou a ofensiva inicial dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano.
“Nós recebemos a declaração e comunicados do governo Lula e agradecemos a condenação do ato de agressão. Acreditamos e vemos essa ação da parte do governo do Brasil como uma ação valorosa que dá atenção aos valores do ser humano, soberania, integridade territorial e independência dos governos”, disse Nekounam
Ele classificou como “ataque criminoso” o bombardeio que, segundo o embaixador, matou mais de 170 meninas em uma escola. E disse que o episódio tornou inevitável uma resposta de grande escala.
Afirmou ainda que o Irã dará continuidade às respostas militares e que não haverá limites para as retaliações enquanto as agressões persistirem.
Na sua primeira declaração sobre o conflito, nesta segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o pior ataque ainda está por vir e que o conflito pode durar ainda de quatro a cinco semana.
Abdollah Nekounam disse que é direito do Irã se defender.
“Entramos nessa guerra por estarmos firmes e por ser nosso direito. Nós fomos atacados e estamos nos defendendo. Não há nenhuma limitação e restrição sobre nossas respostas e retaliações conforme os ataques da parte dos Estados Unidos e do regime sionista. Nós vamos responder da mesma altura. Se formos atacados, vamos responder de forma firme”, disse.
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E acrescentou que Teerã só deve interromper suas ações quando houver recuo das forças americanas e israelenses.
“Até que quem nos atacou recue, continuaremos nossos atos de defesa”, disse.
Relação com o Brasil
Sobre os efeitos nas relações econômicas com o Brasil, Nekounam afirmou que espera que a guerra não afete o comércio com o Brasil, incluindo insumos agrícolas.
Ele disse que não há relatos de brasileiros entre as vítimas e que a embaixada mantém diálogo regular com o Itamaraty sobre a situação no país.
O embaixador também reforçou que os ataques iranianos têm como alvo “bases militares dos EUA e centros do regime sionista”.
“Quando uma base militar é usada para atacar nosso país, claramente será atacada e terá respostas. As nossas relações com nossos países vizinhos e irmãos estão mantidas, mas, como mencionou nosso ministro de Relações Exteriores, esses países precisam pressionar os países donos dessas bases militares a desativá-las”, disse.
Sobre o fechamento do Estreito de Ormuz, corredor por onde passa grande parte do petróleo transportado no mundo, ele disse que não foi uma surpresa para Teerã.
Na sua opinião, o bloqueio é consequência direta da decisão dos Estados Unidos e de Israel de iniciar os ataques.
Ainda segundo declarações do diplomata, a retomada das negociações sobre o acordo nuclear, que está prevista para Viena, foi interrompida após os novos ataques.
Segundo ele, os Estados Unidos usaram as negociações como “farsa” e para buscar mudança do regime iraniano.
