Embaixador do Irã agradece Brasil por condenar ataques dos EUA

Abdollah Nekounam, embaixador do Irã no BrasilFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Abdollah Nekounam, embaixador do Irã no Brasil, agradeceu publicamente, nesta segunda-feira (2) o apoio do governo brasileiro, que condenou a ofensiva inicial dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano.

“Nós recebemos a declaração e comunicados do governo Lula e agradecemos a condenação do ato de agressão. Acreditamos e vemos essa ação da parte do governo do Brasil como uma ação valorosa que dá atenção aos valores do ser humano, soberania, integridade territorial e independência dos governos”, disse Nekounam

Ele classificou como “ataque criminoso” o bombardeio que, segundo o embaixador, matou mais de 170 meninas em uma escola. E disse que o episódio tornou inevitável uma resposta de grande escala.

Afirmou ainda que o Irã dará continuidade às respostas militares e que não haverá limites para as retaliações enquanto as agressões persistirem.

Na sua primeira declaração sobre o conflito, nesta segunda-feira, o presidente dos  Estados Unidos, Donald Trump, disse que o pior ataque ainda está por vir e que o conflito pode durar ainda de quatro a cinco semana.

 Abdollah Nekounam disse que é direito do Irã se defender.

“Entramos nessa guerra por estarmos firmes e por ser nosso direito. Nós fomos atacados e estamos nos defendendo. Não há nenhuma limitação e restrição sobre nossas respostas e retaliações conforme os ataques da parte dos Estados Unidos e do regime sionista. Nós vamos responder da mesma altura. Se formos atacados, vamos responder de forma firme”, disse.

Leia também: Kuwait derruba por engano três caças dos EUA em meio à guerra

E acrescentou que Teerã só deve interromper suas ações quando houver recuo das forças americanas e israelenses.

“Até que quem nos atacou recue, continuaremos nossos atos de defesa”, disse.

Relação com o Brasil

Sobre os efeitos nas relações econômicas com o Brasil, Nekounam afirmou que espera que a guerra não afete o comércio com o Brasil, incluindo insumos agrícolas.

Ele disse que não há relatos de brasileiros entre as vítimas e que a embaixada mantém diálogo regular com o Itamaraty sobre a situação no país.

O embaixador também reforçou que os ataques iranianos têm como alvo “bases militares dos EUA e centros do regime sionista”.

“Quando uma base militar é usada para atacar nosso país, claramente será atacada e terá respostas. As nossas relações com nossos países vizinhos e irmãos estão mantidas, mas, como mencionou nosso ministro de Relações Exteriores, esses países precisam pressionar os países donos dessas bases militares a desativá-las”, disse.

Sobre o fechamento do Estreito de Ormuz, corredor por onde passa grande parte do petróleo transportado no mundo, ele disse que não foi uma surpresa para Teerã.

Na sua opinião, o bloqueio é consequência direta da decisão dos Estados Unidos e de Israel de iniciar os ataques.

Ainda segundo declarações do diplomata, a retomada das negociações sobre o acordo nuclear, que está prevista para Viena, foi interrompida após os novos ataques.

Segundo ele, os Estados Unidos usaram as negociações como “farsa” e para buscar mudança do regime iraniano.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.