
Os dados recentes do PIB de 2025 trazem um alerta que nós, que vivemos o dia a dia da produção, já sentíamos no balcão da loja, no chão da fábrica e na lida do campo: a economia brasileira deu uma freada brusca. Crescemos 2,3% no ano passado, vindo de um ritmo de 3,4%. Essa perda de fôlego não é por acaso; é o resultado direto de juros nas alturas (Selic a 15%) e de um endividamento que asfixia as famílias e trava o investimento de quem gera emprego.
Como alguém que acredita na livre iniciativa e no valor de quem produz, vejo com preocupação que o investimento (FBCF) caiu significativamente no último trimestre. Quando o empresário segura a compra de uma máquina ou a ampliação de um galpão por causa do custo do crédito, quem perde é o futuro do país.
A boa notícia, mais uma vez, vem do campo. A agropecuária foi o grande destaque positivo do ano, com alta de 11,7%. E aqui na nossa RMC, essa força é latente. Somos o ponto de encontro entre a tecnologia de ponta e a produção rural. O agronegócio não é apenas “porteira para dentro”; ele movimenta nossa logística, nossos centros de pesquisa e o comércio de cidades que são polos regionais. Enquanto o consumo das famílias patinou (crescendo apenas 1,3%), o Agro manteve o país de pé no início do ano.
Na nossa região, que abriga um dos maiores parques industriais do país, o recuo de 0,2% na indústria de transformação nacional acende a luz amarela. Sabemos que a RMC é resiliente, mas não é imune. O comércio e os serviços locais também sentem o peso do crédito caro. Precisamos de um ambiente de negócios que favoreça quem trabalha e não quem apenas vive de juros.
Por outro lado, não podemos ignorar as nuvens no horizonte: o conflito no Oriente Médio pode pressionar o petróleo e a inflação, ameaçando a queda dos juros. Mais do que nunca, precisamos de responsabilidade fiscal e apoio real a quem produz , do produtor rural ao industrial.
Aqui na RMC, continuaremos trabalhando com alegria e dedicação, cobrando seriedade de Brasília para que o esforço de quem acorda cedo no interior paulista seja respeitado e recompensado com um país que volte a crescer de verdade. Vamos em frente, com pé no chão e foco no trabalho!
Gustavo Reis é vice-presidente da Frente Nacional de Prefeitos e da Associação Paulista de Municípios.
