
Donald Trump mirou um canhão em direção ao Brasil enquanto espalha bombas pelo Irã e o Oriente Médio.
Foi só a pré-campanha presidencial começar e a Casa Branca voltou a discutir a classificação de facções criminosas como Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas.
Parece um detalhe semântico, mas não é. Como facções criminosas (que são), CV e PCC são problemas de segurança pública do Brasil. Como grupos terroristas (que não são, pois não tem objetivos ideológicos ou políticos em suas ações), tornam-se uma ameaça ao mundo. Seria, assim, papel de um líder eleito para priorizar questões domésticas conter as supostas ramificações do tráfico do Brasil no território norte-americano, seja por meio de ações violentas (improváveis), seja pela distribuição e controle do mercado de drogas (também improváveis).
O Itamaraty tenta arrastar a discussão para que ela não contamine o ambiente político em ano eleitoral. Spoiler: já contaminou.
A extrema direita comemora a ameaça de Trump contra o próprio país. E apoiadores do governo Lula (PT) sabem a encrenca que se avizinha.
Uma pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana mostrou que, depois da saúde, com 21% das menções, a segurança pública é a maior preocupação dos brasileiros hoje (19%).
A violência urbana é uma questão complexa, que envolve enfrentamento de forças amplas, estaduais, municipais e federais. Mas no discurso de promessas simples para problemas profundas a extrema direita leva vantagem por vender ao eleitorado que sabe o que está fazendo. Spoiler 2: não sabe. Mas o discurso de prende, mata, arrebenta é música para os ouvidos de quem acaba de ser assaltado. E, bem, muita gente foi ou conhece que tenha sido assaltado de um tempo pra cá.
Para a mesma população, é tentadora a ideia de que o grandalhão do Norte resolver salvar os pobres brasileiros indefesos enviando mísseis contra as fortalezas do crime organizado. Cada bomba envolve a promessa de que só assim viveremos num país e em um mundo mais seguro. Spoiler 3: essa é outra mentira.
O mesmo argumento foi usado por Trump ao agredir o Irã. Pergunte aos pais das meninas da escola primária Shajareh Tayyebeh, em Minab, onde os soldados norte-americanos miraram uma base militar e erraram o alvo, deixando mais de 150 mortos pela vizinhança, se hoje, com a interferência dos Estados Unidos, o Irã é um país mais seguro de se viver.
*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG
