Veja quem são os integrantes da Sintonia Restrita do PCC

Veja quem são os membros da Sintonia Restrita do PCCArte iG

Um novo organograma elaborado pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol) mapeia a atual estrutura hierárquica do Primeiro Comando da Capital (PCC), organizada em 12 sintonias. Entre elas está a Sintonia Restrita, apontada pelas investigações como o núcleo responsável pelo monitoramento de autoridades públicas e de seus familiares para a preparação de atentados.

Segundo os investigadores, integrantes desse setor realizam levantamentos detalhados da rotina de alvos considerados inimigos da organização. O grupo monitora endereços de autoridades juradas de morte, registra horários e locais frequentados pelas vítimas, filma trajetos e identifica pontos estratégicos para possíveis emboscadas.

A Sintonia Restrita é descrita como uma célula voltada a assuntos altamente sigilosos e estratégicos para a cúpula do PCC. O núcleo seria formado por integrantes de extrema confiança da liderança, com alto grau de poder decisório e prestígio dentro da organização, todos ligados diretamente a Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o principal líder da facção.

Dentro dessa estrutura existe ainda um braço operacional chamado Sintonia Restrita Tática, formado pelos chamados “mãos de braço”, responsáveis por executar, na prática, as ações planejadas pelo núcleo de inteligência.

Investigações apontam que integrantes dessa estrutura chegaram a planejar atentados contra o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, que atua no combate ao crime organizado na região de Presidente Prudente (SP), e contra o diretor de presídios Roberto Medina.

O grupo também é associado a ataques contra servidores do sistema penitenciário federal. Entre os casos investigados está o assassinato da psicóloga Melissa de Almeida Araújo, da Penitenciária Federal de Catanduvas (PR), morta a tiros em 2017.

Outro caso atribuído a integrantes ligados à facção foi o homicídio do agente penitenciário federal Alex Belarmino Almeida Silva, executado a tiros em 2016, em Cascavel (PR), quando saía de casa para trabalhar. As investigações indicaram que criminosos chegaram a alugar um imóvel próximo à residência do agente para monitorar sua rotina antes da execução.

Também é investigada a morte do agente penitenciário federal Henry Charles Gama Filho, assassinado em 2017 em Mossoró (RN), após ser surpreendido por atiradores enquanto estava em um estabelecimento comercial da cidade.

De acordo com autoridades, os ataques teriam sido motivados por retaliações da facção às rígidas medidas de controle impostas pelo sistema penitenciário federal contra lideranças do PCC.

Veja abaixo quem são os integrantes das Sintonias Restrita e Restrita Tática. 

1. André Luiz Meza Costa

André Luiz Meza Costa, conhecido como “Pleiba”Reprodução/Dipol

André Luiz Meza Costa, conhecido como “Pleiba”, foi condenado a 41 anos e 11 meses de prisão por participação no assalto à agência do Banco do Brasil em Criciúma (SC), ocorrido em 2020.

A sentença foi proferida pela 1ª Vara Criminal de Criciúma e inclui condenações por organização criminosa, roubo qualificado, uso de explosivos, incêndio e danos ao patrimônio público. O ataque ficou marcado pelo emprego de armamento pesado e explosivos durante a ação contra a instituição financeira

2. Carlos Alberto Damasio

Carlos Alberto Damásio, conhecido como “Malboro”Reprodução

Carlos Alberto Damásio, conhecido como “Malboro”, foi condenado a 10 anos e 9 meses de prisão por envolvimento com organização criminosa.

De acordo com denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), ele teria participado da elaboração de bilhetes com instruções para monitorar a rotina de agentes públicos, reunindo informações que poderiam ser usadas na preparação de atentados.

As investigações apontam que o plano estaria ligado à reação do PCC após o anúncio, no fim de 2018, feito pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), sobre a transferência de lideranças da facção para presídios federais.

A Justiça paulista considerou Damásio culpado por integrar o planejamento de um possível ataque contra o promotor de Justiça Lincoln Gakiya e outras autoridades relacionadas ao sistema prisional do estado.

3. Edimar da Silva Santana 

Edimar da Silva Santana, conhecido pelo apelido “Arqueiro”Reprodução/Dipol

Edimar da Silva Santana, conhecido pelo apelido “Arqueiro”, é apontado por investigadores como uma das principais lideranças do PCC em Mato Grosso do Sul.

Ele foi denunciado por crimes como participação em organização criminosa, tráfico de drogas e de armas, além de porte ou posse ilegal de arma de fogo. Santana acabou preso pela Polícia Federal em 2020, durante a Operação Exílio, e posteriormente foi condenado a 27 anos de prisão.

As apurações também indicaram que o investigado utilizava documentação falsa para evitar a identificação pelas autoridades, mantendo-se foragido sob a identidade de outra pessoa.

4. Eduardo Marcos da Silva 

Edimar da Silva Santana, conhecido pelo apelido “Arqueiro”Reprodução

Eduardo Marcos da Silva, conhecido como “Dudinha”, já foi preso pelo crime de porte ilegal de arma de fogo. Segundo as investigações, ele manteria comunicação direta com a principal liderança do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

As apurações também indicam que Dudinha é suspeito de participar da articulação de possíveis ataques contra agentes públicos, o que o coloca no radar das autoridades em investigações relacionadas à facção.

5. ⁠Erick Douglas da Silva 

Erick Douglas da Silva, conhecido pelos vulgos “Malboro”, “Menor” ou “Multlei”Reprodução/Dipol

Erick Douglas da Silva, conhecido pelos vulgos “Malboro”, “Menor” ou “Multlei”, está preso em Dourados, no Mato Grosso do Sul. Ele é investigado por autoridades como um dos líderes do PCC.

De acordo com as apurações, Erick é suspeito de ter ordenado o assassinato do agente penitenciário Anderson Albuquerque, de 29 anos, morto a tiros em 2015, em Rio Branco, no Acre. O crime é tratado pelos investigadores como uma possível represália ligada à atuação do sistema prisional.

6. Francivaldo Rodrigues Lima

Francivaldo Rodrigues Lima, conhecido pelos vulgos “Nei”, “Aldo” e “Ceará”Reprodução/Dipol

Francivaldo Rodrigues Lima, conhecido pelos vulgos “Nei”, “Aldo” e “Ceará”, foi condenado a 32 anos de prisão por crimes como associação criminosa voltada à prática de delitos hediondos e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

Em 2017, quando cumpria pena na Penitenciária Estadual de Dourados, ele foi transferido para a Penitenciária Federal de Porto Velho, passando a cumprir pena sob o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

Investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apontam que, mesmo encarcerado em regime fechado, Francivaldo continuava exercendo influência dentro da facção criminosa. Segundo as apurações, antes de integrar a Sintonia Restrita, ele teria atuado na chamada “disciplina” do grupo, participando de julgamentos internos e ajudando a definir punições contra integrantes que desrespeitassem as determinações da liderança.

7. ⁠Matheus Gustavo Mello Silva

Matheus Gustavo Melo Silva, conhecido como “CR7”Reprodução/Dipol

Matheus Gustavo Melo Silva, conhecido como “CR7”, já foi preso sob suspeita de envolvimento em uma tentativa de homicídio qualificado contra um agente penitenciário.

De acordo com as investigações, ele teria participado de uma missão atribuída ao PCC que consistia em mapear endereços de agentes penitenciários federais no estado de Rondônia. O objetivo do levantamento seria planejar ataques contra esses servidores por determinação da facção.

Além desse caso, Matheus também responde a processos por organização criminosa e por posse ilegal de arma de fogo, munições e acessórios.

8. ⁠Vilmar Afonso dos Santos 

Vilmar Afonso dos Santos, conhecido pelos vulgos “Drogba” e “Cara Preta”Reprodução/Dipol

Conhecido pelos vulgos “Drogba” e “Cara Preta”, Vilmar Afonso dos Santos foi preso durante a Operação Hidra de Lerna, acusado de envolvimento no sequestro e assassinato de um mecânico, crime atribuído ao chamado “tribunal do crime”.

De acordo com as investigações, Vilmar e outros suspeitos teriam participado da execução de um jovem de 23 anos. A vítima teria sido levada para um “julgamento” interno após manter um relacionamento com uma menina de 11 anos. Segundo a apuração policial, familiares da menor teriam acionado integrantes da facção para que o caso fosse analisado dentro da organização criminosa.

Atualmente, Vilmar Afonso dos Santos é apontado pelas autoridades como integrante da Sintonia Restrita do PCC.

Sintonia Restrita Tática (Mão de braço)

⁠1. André Vinícius Nunes de Souza

André Vinícius Nunes de Souza, conhecido como “Confusão”Reprodução/Dipol

André Vinícius Nunes de Souza, conhecido como “Confusão”, foi preso em maio de 2024 durante uma operação conjunta da Polícia Federal e da Polícia Militar no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP).

No momento da abordagem, ele retornava de uma viagem à Bolívia. De acordo com as investigações, o deslocamento teria como objetivo encontros com integrantes do PCC.

Atualmente, Confusão é apontado pelas autoridades como integrante da chamada Sintonia Restrita Tática, núcleo considerado o “braço operacional” da facção, responsável por executar ordens e missões determinadas pelos níveis superiores da organização criminosa.

2. Ronaldo de Morais

Ronaldo de MoraisReprodução/Dipol

Ronaldo de Morais é investigado por suspeita de integrar o núcleo do PCC responsável por colocar em prática os planos de atentado contra agentes de segurança pública. 

De acordo com os indícios reunidos no processo, Ronaldo teria atuado como líder da organização e seria apontado como mandante de um homicídio qualificado. O crime, segundo a acusação, teria sido motivado por vingança relacionada a disputas sindicais e econômicas e cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. A investigação indica que a vítima teria sido atraída ao local sob o pretexto de um falso encontro amoroso.

As apurações também apontam que ele costuma circular acompanhado por seguranças, adotando postura considerada intimidatória diante de adversários. Conforme os autos, essa atuação teria como objetivo pressionar rivais a abandonar atividades na área sindical, eliminando possíveis concorrentes. As circunstâncias descritas no processo são citadas pelas autoridades como indicativos de elevada periculosidade

3. ⁠Ivan Garcia Arruda 

Ivan Garcia Arruda, conhecido como ‘Dengola’Reprodução/Dipol

Conhecido como “Dengola”, Ivan Garcia Arruda é investigado por suposto envolvimento no planejamento de uma tentativa de resgate do Marcola, considerado a principal liderança do PCC, de um presídio federal de segurança máxima em Brasília.

Arruda foi preso em setembro de 2024 no interior de São Paulo. Posteriormente, acabou condenado a quatro anos e nove meses de prisão pelos crimes de posse ilegal de arma de fogo e de munições. Segundo as investigações, ele teria ligação com integrantes da facção e estaria envolvido em articulações relacionadas ao plano de fuga do líder da organização criminosa.

4. Marcelo Adelino de Moura 

Marcelo Adelino de Moura, conhecido como ‘China’Reprodução/Dipol

Conhecido como “China”, Marcelo Adelino de Moura está preso e foi condenado por envolvimento no planejamento de um atentado que teria como alvo o então secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite.

Em 2012, ele também foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo sob a acusação de participar do grupo responsável pela invasão e assalto à empresa de transporte de valores Protege, na capital paulista. Na ocasião, respondeu por crimes como latrocínio tentado, formação de quadrilha armada e porte ilegal de armas e munições de uso restrito.

Emivaldo da Silva Santos (Provavelmente excluído)

Emivaldo da Silva Santos, conhecido como “BH”Reprodução/Dipol

Emivaldo da Silva Santos, conhecido pelos vulgos “BH”, “Cadema”, “Topete” e “Bahia”, aparece no organograma do Dipol como “provavelmente expulso” do PCC. Segundo as investigações, após falhar no cumprimento de uma missão atribuída pela facção, ele teria passado a colaborar com a Justiça, fornecendo informações que ajudaram a expor um esquema de envolvimento de policiais com a organização criminosa.

Em 2009, Emivaldo foi condenado a 21 anos de prisão por crimes como receptação, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e formação de quadrilha voltada à prática de crimes hediondos.

Investigadores também o citam como um dos responsáveis por coordenar os ataques registrados em São Paulo em 2006. Na época, quando ainda ocupava posição de destaque na facção, ele teria exercido funções de comando, como fiscalizar o cumprimento das ordens da cúpula, organizar a arrecadação de contribuições mensais e coordenar integrantes do grupo em diferentes cidades.

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