
A Polícia Civil deflagrou, nesta quarta-feira (11), a Operação Contenção Red Legacy para desarticular a estrutura nacional do Comando Vermelho. Até o momento, seis pessoas foram presas, entre elas o vereador do Rio de Janeiro Salvino Oliveira (PSD). A ação foi realizada por agentes da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais e de policiais de delegacias especializadas.
🚨 Polícia Civil prende o braço direito do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio! 🚨
Você lembra do vereador Salvino Oliveira, que foi secretário municipal de Juventude? Foi preso hoje após as investigações apontarem ligações com a facção criminosa. pic.twitter.com/Mjzyuzd26m
— Cláudio Castro (@claudiocastroRJ) March 11, 2026
De acordo com a Polícia Civil, o vereador Salvino Oliveira (PSD) teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, principal liderança do comando vermelho conhecido como “Doca” ou “Urso”, a autorização para realizar campanha eleitoral na Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, área dominada pela facção. Em contrapartida, segundo a apuração, o parlamentar teria articulado benefícios para integrantes da organização criminosa.
O iG tentou contato com a defesa do vereador, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
Um dos pontos investigados envolve a instalação recente de quiosques na região. Conforme a polícia, parte dos beneficiários teria sido definida diretamente por membros da facção, sem processo público transparente.
Investigações apontam envolvimento da mãe de Oruam

Segundo apurado pela Polícia Civil, familiares de um dos principais líderes históricos da facção, Márcio dos Santos Nepomuceno, o “Marcinho VP”, estariam envolvidos na articulação dos intereses do Comando Vermelho.
De acordo com os investigadores, Márcia Gama, esposa de Marcinho VP e mãe do cantor Oruam, atuaria na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, auxiliando na circulação de informações entre integrantes e na articulação com operadores externos. Ela não foi localizada e é considerada foragida da Justiça.
Nas redes sociais, o rapper defendeu a sua fampilia das acusações:
“Triste eles fazendo política em cima da minha família, minha mãe sofreu tanto, não merece isso. Pra me atingir estão atacando o meu bem mais precioso. O sistema é nojento. Só peço que não acreditem em todas essas mentiras a respeito da minha família. Ano de eleição e eles são capazes de tudo pra ganhar voto” desabafou Outro investigado apontado como peça relevante na estrutura é Landerson, sobrinho de Marcinho VP. Segundo a apuração, ele funcionaria como elo entre lideranças da facção, integrantes que atuam em comunidades dominadas pelo grupo e pessoas ligadas a atividades econômicas exploradas pela organização criminosa, como serviços e negócios utilizados para gerar recursos. Ele também é considerado foragido. Durante as investigações, ainda foram identificados casos de criminosos que se passavam por policiais militares para obter vantagens ilícitas, incluindo vazamento de informações e simulação de operações. O material reunido aponta para uma estrutura criminosa considerada complexa, com conselhos nacionais e regionais e articulação entre organizações de diferentes estados, inclusive com indícios de cooperação do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Entre outros integrantes citados na investigação estão Luciano Martiniano da Silva, conhecido como “Pezão”, apontado como responsável pela gestão financeira da organização, e Carlos da Costa Neves, o “Gardenal”, que seria encarregado de operacionalizar determinações da liderança.
