Câmeras registram espécies raras em ilha da Tasmânia; confira

Uma equidna loira, um dunnart de patas brancas e uma narceja-de-Latham na ilha de Truwana/Cape Barren.Truwana Rangers

Em truwana/Cape Barren Island, na Tasmânia, rangers indígenas capturaram imagens de uma equidna loira, dunnarts de patas brancas e narcejas-de-Latham. As fotos foram obtidas por câmeras de monitoramento e fazem parte de um programa de conservação que busca proteger espécies ameaçadas e controlar predadores, como gatos ferais, preservando a biodiversidade da ilha.

O dunnart de patas brancas, um pequeno marsupial carnívoro parecido com um camundongo, mede menos de 10 centímetros e se alimenta principalmente de insetos e pequenos invertebrados. A espécie foi registrada em câmera seis anos depois de ter sido avistada pela primeira vez pelo ranger Buck Brown durante uma queimada controlada. Listado como ameaçado em Nova Gales do Sul, estima-se que haja menos de 5 mil indivíduos na Tasmânia.

Eu vi esses pequenos marsupiais saindo da grama alta… eles começaram a se esconder debaixo do meu veículo 4×4”, contou Brown. “Consegui pegar alguns e colocá-los no carro para observar melhor“, acrescentou.

Equidna loira chama atenção dos rangers

As imagens de uma equidna loira também encantaram os rangers. A equidna é um mamífero que põe ovos e se alimenta principalmente de formigas e cupins, e a coloração clara ocorre por leucismo, uma condição genética que reduz parcialmente o pigmento do corpo. “Seria incrível vê-las pessoalmente, mas só de saber que estão aqui já é muito legal”, afirmou o ranger Shane Hughes.

A ecologista Liz Znidersic, da Charles Sturt University, explicou que o fenômeno genético pode aparecer com mais frequência em populações isoladas. “A coloração é causada por leucismo, uma condição genética que reduz parcialmente a pigmentação. É mais comum nas ilhas do que no continente”, disse Znidersic.

Aves ameaçadas e gestão indígena

Outro destaque foi a rara narceja-de-Latham, uma ave migratória que viaja do Japão e da Rússia até o sul da Austrália. “Estou emocionada, a presença do snipe mostra que o manejo indígena da terra está funcionando. O habitat precisa estar muito saudável para que ela passe o verão aqui”, mencionou Znidersic ao observar as imagens.

Para a pesquisadora, a presença da ave indica que o manejo ambiental realizado pela comunidade indígena está funcionando.

Conservação e controle de predadores na ilha

A ilha abriga cerca de 80 moradores e foi devolvida à comunidade aborígene em 2005, que desde então administra o território. O monitoramento por câmeras faz parte de um projeto conjunto entre os rangers de truwana e o WWF (Fundo Mundial para a Natureza), iniciativa voltada à proteção da biodiversidade local.

Entre as principais ameaças à fauna estão os gatos ferais, predadores introduzidos que afetam diretamente espécies nativas. Segundo Buck Brown, os rangers realizam capturas frequentes para reduzir a população desses animais. “Pegamos cerca de 30 gatos todo inverno, isso faz uma grande diferença para a vida selvagem”, ressaltou Brown.

O ranger Shane Hughes disse que o trabalho ainda está em fase inicial, mas já ajuda a orientar estratégias de proteção. “Esperamos proteger essas espécies e mantê-las aqui para o futuro”, declarou Hughes.

Para Brown, os registros reforçam a importância de continuar observando e cuidando do território. “Você sempre aprende algo caminhando pelo país. A terra sempre tem algo a te mostrar”, destacou Brown.

*Estagiária sob supervisão

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