Mensagens em celulares comprovam aliança entre CV e PCC em 2025

Operação foi deflagrada pelos policiais civis da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD)Reprodução/PCRJ

A Polícia do Rio de Janeiro encontrou nesta quarta-feira (11) indicios de aliança firmada entre as facções criminosas Comando Vermelho (CV), no Rio de Janeiro, e do Primeiro Comando da Capital (PCC), com origem em São Paulo.

As provas são mensagens encontradas em celulares apreendidos durante a Operação Contenção Red Legacy, contra o crime organizado, deflagrada pelos policiais civis da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD).

Uma delas, um “comunicado geral” datado de 25 de fevereiro de 2025, informa aos gerentes das duas facções que foi firmada “uma nova aliança de paz, justiça, liberdade, lealdade e fraternidade” entre CV e PCC.

“Deixamos todos cientes de que, a partir da data de hoje, 25/02/2025 — data essa histórica —, o CV e o PCC estão colocando fim a esta guerra e refazendo uma nova aliança”, diz um trecho do comunicado.

E prossegue: “Deixamos a prerrogativa para outras organizações de que estamos abertos ao diálogo e assim incorporando ainda mais nossas fileiras nessa empreitada em que lutamos de mãos dadas por um só ideal, que é: o crime fortalece o crime”.

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Segundo investigação, o acordo teve a participação do traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, um dos chefes do CV no Rio, identificado pelo contato “Deus é fiel” na troca de mensagens.

Ele teria tratado diretamente com as lideranças do PCC em São Paulo.

​Essa aliança firmada em fevereiro do ano passado, segundo especialistas em segurança pública, visava fortalecer laços jurídicos em presídios federais e reduzir a violência após nove anos de conflitos intensos, iniciados em 2016 com disputas por rotas de drogas.

Trégua curta

Mas durou pouco, segundo o especialista em Segurança Pública, Luís Flávio Sapori, da PUC Minas.

Segundo o que foi divulgado na época pelas próprias facções, a aliança terminou dois meses depois, oficialmente em 28 de abril de 2025. 

“As evidências desde meados do ano passado é de uma retomada da conflitualidade em várias estados e regiões do Brasil.  Não sabemos os detalhes do pacto que depois foi rompido; ainda não temos muitas evidências do que fatores condicionaram essas idas e vindas. O fato é que Comando Vermelho e PCC continuam sendo as principais facções do tráfico de drogas no Brasil, participando e com presença em praticamente todos os estados brasileiros”, enfatiza o especialista.

Sapori acrescenta que as facções continuam competindo entre si, principalmente no atacado e no varejo da cocaína que vem dos países andinos.

“E essa conflitualidade ainda é responsável por boa parte dos homicídios e tentativos de homicídios nas nossas cidades”, conclui ele.

A relação entre PCC e CV volta à pauta num momento em que o Brasil tenta impedir que os Estados Unidos classifiquem as duas facções criminosas como organizações terroristas, o que poderia impactar a soberania brasileira e as operações contra o tráfico.

Contenção Red Legacy

A Operação Contenção Red Legacy foi deflagrada pelos policiais civis da DCOC-LD, com o apoio de agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e de policiais de delegacias especializadas e da capital fluminense, para desarticular a estrutura nacional do Comando Vermelho, identificada pela investigação como uma organização criminosa com características de cartel e atuação interestadual altamente estruturada.

Pelo menos 10 pessoas foram presas nesta quarta, incluindo o vereador Salvino Oliveira (PSD), do Rio de Janeiro.

O trabalho investigativo também identificou a participação direta de familiares de um dos principais líderes históricos da facção, Márcio dos Santos Nepomuceno, o “Marcinho VP”, no funcionamento da engrenagem criminosa.

“Mesmo após quase três décadas no sistema prisional, as investigações indicam que Marcinho VP continua exercendo papel central na estrutura de comando da facção, apontado como liderança do chamado conselho federal permanente do grupo”, afirma a Polícia Civil do Rio, em comunicado.

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