Moradores de Fernando de Noronha temem impacto da guerra no Oriente Médio em serviços essenciais


Fernando Noronha depende de diesel para gerar energia e distribuir água
Moradores de Fernando de Noronha estão preocupados com possíveis impactos da guerra no Oriente Médio no abastecimento de energia e água na ilha. O receio é de que a dependência de insumos externos afete serviços essenciais (veja vídeo acima).
A energia elétrica em Noronha é gerada a partir da queima de óleo diesel. Já a maior parte da água distribuída pela Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) vem do mar e passa por um processo de dessalinização. Esse sistema depende diretamente de energia para funcionar.
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Preocupação
Energia de Noronha depende de diesel
Flávio Costa/Acervo pessoal
O presidente da Assembleia Popular Noronhese (APN), Nino Alexandre Lehnemann, destacou a preocupação dos moradores.
“Noronha é uma ilha isolada e depende totalmente do abastecimento vindo do continente, o que a coloca em situação de vulnerabilidade. O fornecimento de diesel, essencial para gerar energia, é um ponto crítico”, afirmou.
O representante dos moradores também explicou os possíveis impactos da falta de diesel. “Uma interrupção prolongada no abastecimento pode causar problemas graves. Além da energia, serviços como água, transporte, turismo e a economia da ilha seriam afetados”, disse.
O presidente da APN quer saber se existem planos de contingência para um possível desabastecimento prolongado.
“Há estoque suficiente de combustível na ilha? Quais medidas foram adotadas para garantir o fornecimento de energia em situações extremas?”, questionou.
No caso da Neoenergia, responsável pela produção de energia na ilha, ele questionou se há plano estruturado, alternativas de geração ou protocolos de emergência para enfrentar uma possível crise de combustível.
Segundo Nino Lehnemann, as perguntas são preventivas. Para o presidente da APN, planejamento e transparência são essenciais para garantir a segurança energética da ilha.
O que diz a Neoenergia
A Neoenergia informou em nota que possui um plano de contingência. Segundo a empresa, há reserva estratégica de combustível para situações de dificuldade no abastecimento.
A empresa também informou que a legislação prioriza o transporte de combustível para usinas termelétricas, responsáveis pela geração de energia.
De acordo com a Neoenergia, regras definidas por órgãos como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Agência Nacional do Petróleo (ANP), Operador Nacional do Sistema (ONS) e Ministério de Minas e Energia (MME), buscam garantir o abastecimento de combustível, principalmente em emergências.
A Compesa informou que é cliente da Neoenergia e, por isso, depende do fornecimento de energia da empresa em caso de possíveis problemas.
Posto
Fernando de Noronha tem um único posto de combustível, que abastece veículos e embarcações com gasolina e óleo diesel. O diretor, Rafael Coelho, afirmou que há estoque disponível na ilha.
“Temos estoque suficiente para cerca de um mês de consumo. Mantemos o volume no limite máximo possível. A situação está sob controle”, garantiu.
Rafael explicou que o posto não vende etanol por falta de estrutura para armazenar mais um tipo de combustível. Segundo ele, o custo do transporte do etanol também tornaria o produto inviável pelo valor.
Atualmente, o litro da gasolina custa R$ 10,89. Já o diesel subiu 5,53% no fim de semana, passou de R$ 10,85 para R$ 11,45.
Administração da Ilha
O g1 procurou a Administração de Fernando de Noronha para saber se há planos emergenciais, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.
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