Boa Safra detalha estratégia que levou companhia à liderança no mercado de sementes

A Boa Safra (SOJA3) consolidou uma trajetória de expansão no mercado brasileiro de sementes a partir de um modelo de negócios baseado em escala, integração com produtores, logística e acesso ao mercado de capitais. Em entrevista ao programa Business, da BM&C News, o diretor financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Felipe Marques, detalhou como a empresa saiu de uma estrutura familiar, fundada em 2009, para se tornar líder isolada em participação de mercado no segmento.

A companhia nasceu em 2009 com uma visão de longo prazo e iniciou cedo um processo de profissionalização. Ainda nos primeiros anos, a empresa tomou decisões voltadas ao fortalecimento da governança e da credibilidade das informações financeiras, com auditoria por Big Four e implantação de sistemas de gestão. Marques destacou que a abertura de capital em 2021 foi resultado de uma preparação de mais de uma década. “Isso não é uma decisão de um ano pro outro”, disse. Na entrevista, ele ressaltou que o caminho até o IPO exigiu investimento, tempo e estruturação interna. “Foi um trabalho de mais de uma década para preparar a chega para onde  a gente está hoje”, acrescentou.

Modelo asset light

A empresa começou suas operações em Formosa, em Goiás, e hoje soma mais de 20 unidades no país. De acordo com o CFO, o crescimento foi sustentado por uma estratégia diferente da maior parte dos concorrentes no setor de sementes. Em vez de concentrar capital na compra de terras, a Boa Safra optou por um modelo asset light, uma estratégia empresarial em que a companhia busca crescer e operar com menor volume de ativos próprios, reduzindo a necessidade de investimentos pesados em bens físicos como terras, fábricas, equipamentos ou infraestrutura.

Nesse modelo, a empresa prioriza parcerias, contratos, integração com terceiros e eficiência operacional, concentrando seus investimentos nas áreas que geram mais valor — como tecnologia, marca, distribuição, logística ou gestão — em vez de imobilizar capital em ativos.

Hoje, a companhia conta com cerca de 600 produtores integrados e área plantada aproximada de 315 mil hectares. Esses parceiros produzem sementes dentro do padrão exigido pela empresa, que faz a aquisição da produção e concentra investimentos em beneficiamento, armazenagem e distribuição.

A estratégia permitiu acelerar o crescimento com menor intensidade de capital quando comparada ao modelo tradicional do setor, mais dependente da aquisição de terras.  “Hoje a gente tem 10% de market share, o líder isolado do mercado”, disse o executivo.

Logística e escalonagem

A logística, inclusive, aparece como um dos pilares do modelo de negócios da Boa Safra. A companhia separa os polos de produção das estruturas de distribuição, instalando câmaras frias próximas das regiões onde os clientes plantam. O objetivo é manter a semente em condições ideais até o momento do plantio. Na prática, isso aproxima a empresa do produtor no chamado last mile e reduz riscos operacionais em estados com forte demanda, como Mato Grosso.

Na avaliação de Marques, o crescimento da Boa Safra está inserido em um contexto mais amplo de fortalecimento do agronegócio brasileiro. Ele afirmou que o país segue em posição estratégica na produção global de alimentos e deve ampliar ainda mais esse protagonismo nos próximos anos. “Eu não ousaria apostar contra o agro do Brasil”, declarou. Para ele, o setor reúne vantagens naturais e capacidade de ganho de produtividade que sustentam sua relevância econômica.

Balanço financeiro

Ao comentar os resultados financeiros de 2025, o executivo reconheceu que o ano foi difícil para o agronegócio, em um ambiente de juros elevados, custos de produção pressionados e commodities em patamares mais baixos. Mesmo assim, a Boa Safra avançou em volume, market share e receita.

A leitura da administração é de que o crescimento de 2025 reforça a posição da empresa para capturar valor nos próximos anos. Nesse contexto, 2026 será um ano menos voltado à ampliação de capacidade e mais orientado à eficiência operacional. “O nosso grande foco no ano de 2026 é buscar eficiência de tudo que a gente construiu”, disse Marques. A prioridade, segundo ele, será elevar retorno sobre capital, melhorar conversão de vendas e rentabilizar a estrutura formada desde o IPO.

Joint venture na Nigéria para produção de sementes de milho

A entrevista também abordou movimentos recentes da companhia, como a parceria com a Syngenta Seeds em uma unidade produtiva em Minas Gerais e o avanço da Bestway Seeds. Além disso, Marques citou a primeira operação internacional da empresa, na Nigéria, como parte da estratégia de expansão em novos mercados. A nova operação contará com investimento total de US$ 9,7 milhões em equity. A Bestway Seeds terá participação inicial de 20% no capital social da joint venture, atribuída como contrapartida à expertise técnica, agronômica e operacional na produção de sementes de milho. Segundo a companhia, a participação ocorrerá sem necessidade de aporte financeiro por parte da Boa Safra ou de sua controlada.
De acordo com o CEO da empresa, a iniciativa faz parte da estratégia de expansão internacional do grupo. “O projeto representa um passo importante na estratégia de expansão internacional da companhia, permitindo levar nosso know-how para um mercado com grande potencial agrícola. Trata-se de uma oportunidade de contribuir diretamente para o aumento da produtividade e o fortalecimento da cadeia de sementes de milho na Nigéria”, afirma Marino Colpo, CEO da Boa Safra.

Planejamento estratégico

Na área financeira, o executivo afirmou que a Boa Safra chega a 2026 com estrutura de capital considerada sólida. Ele lembrou o IPO, o follow-on e emissões de CRA realizadas pela companhia nos últimos anos como parte da construção de uma base de financiamento mais robusta. Segundo Marques, esse processo ajuda a diferenciar a empresa dentro de um setor ainda pouco representado na bolsa brasileira, apesar do peso do agro na economia.

Ao final da entrevista, o executivo reforçou a visão estratégica da companhia para os próximos anos. “A nossa estratégia é ser one stop shop em sementes”, afirmou. Na definição apresentada por ele, a Boa Safra quer ser reconhecida como a empresa capaz de atender o produtor em diferentes culturas, com amplitude de portfólio, escala e eficiência operacional.

O executivo também descartou, no cenário atual, qualquer comparação da companhia com empresas do agro que enfrentam processos de recuperação judicial. Segundo ele, a empresa foi impactada pontualmente por inadimplência de clientes, mas preservou um balanço sólido e manteve indicadores inferiores aos observados em outras companhias do setor. “A gente fez o nosso dever de casa”, disse.

 Veja a entrevista completa:

 

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