
A greve dos servidores do Detran-RJ entrou no terceiro dia com impactos no atendimento em diversas unidades do estado. A paralisação teve início na última segunda-feira (6), após deliberação em assembleia realizada pelo Sindicato dos funcionários do Detran (Sindetran-RJ) no dia 30 de março. De acordo com o sindicato, a principal motivação para a greve é o descumprimento, por parte do Governo do Estado, de um acordo judicial firmado anteriormente no âmbito de um dissídio coletivo. A entidade afirma que tentou negociar, mas não teve avanços, o que levou a paralisação. Entre as queixas da categoria também estão as condições de trabalho nos postos de atendimento. Servidores relatam falta de estrutura básica, com mobiliário danificado, ausência de manutenção, problemas de ventilação e climatização, além da inexistência de banheiros ou bebedouros em áreas destinadas a exames. Segundo o sindicato, a mobilização busca não apenas garantir direitos dos trabalhadores, mas também melhorar a qualidade do serviço prestado à população. Na terça-feira (7), funcionários realizaram um protesto e chegaram a interditar parcialmente a Avenida Presidente Vargas, na altura do posto central do Detran, no Centro do Rio. Os reflexos da paralisação já chegou aos usuários, com registros de atrasos no atendimento e até cancelamento de provas práticas de direção. O Detran informou que parte dos transtornos também foi causada por uma tentativa de ataque cibernético ao sistema do órgão, que está sendo investigada.

Detran busca o diálogo em negocições
Em nota enviada ao iG, o Detran afirmou que tem dialogado permanentemente com os servidores na busca de soluções para as demandas apresentadas, “com transparência e responsabilidade”. O órgão informou ainda que, na segunda-feira (6) e na terça-feira (7), a presidência recebeu representantes do sindicato para tratar das reivindicações e que vem adotando medidas para mitigar os efeitos da paralisação aos usuários. Segundo o departamento, já foram concedidos reajustes nos auxílios de alimentação, saúde, educação e transporte. O auxílio-educação, criado em 2024, foi pago de forma retroativa a 2023. O Detran também afirmou ao iG que cumpre rigorosamente todas as normas legais e administrativas, além de atender integralmente às decisões judiciais dentro dos prazos estabelecidos.
Sobre as condições de trabalho, o órgão informou ao iG que está sendo realizado um levantamento das necessidades de melhorias na infraestrutura dos postos em todo o estado, incluindo o mobiliário. Já a implementação do plano de cargos e salários segue em tramitação nos órgãos competentes, conforme o devido processo legal. O Detran reforçou também que valoriza seus servidores e que está empenhado em atender às demandas dentro das possibilidades atuais, buscando reduzir os impactos para a população. Em relação aos atendimentos, o departamento informou que candidatos afetados pela paralisação terão os exames práticos remarcados automaticamente. Já aqueles que perderam a prova teórica precisarão realizar um novo agendamento. Outros serviços deverão ser retomados após a normalização, com prazo de até cinco dias úteis para que o usuário retorne à mesma unidade, sem necessidade de novo agendamento. Segundo o Sidetran, a paralisação é por tempo indeterminado, e uma nova assembleia dos servidores está marcada para esta quinta-feira (9), quando serão discutidos os próximos passos do movimento.
