Silva volta à leveza em ‘Rolidei’, álbum solar para curtir a vida boa à beira-mar


Silva lança ‘Rolidei’, álbum com canções pautadas pela alegria e compostas em março de 2025 durante férias do artista
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♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: Rolidei
Artista: Silva
Cotação: ★ ★ ★ 1/2
♬ “Rolidei”, álbum que Silva lança hoje, 8 de abril, pode ser encarado como movimento de retrocesso do artista em direção ao básico, à leveza pop que fez o cantor, compositor e multi-instrumentista capixaba migrar do circuito indie para o mainstream em travessia feita ao longo dos últimos dez anos.
Antecedido em novembro por “Virá” (2025), single que deu a pista certeira de “Rolidei” ao apresentar música imersa nas boas vibrações do axé, o álbum soa como um movimento natural de um artista que viu parte do público debandar quando lançou “Encantado” (2024), disco mais ambicioso, pautado pela diversidade rítmica, por feats inusitados (com as cantoras Carminho e Leci Brandão, entre outros nomes) e pelo contraste entre luzes e sombras.
“Rolidei” aposta tudo na luz do sol. “Rolidei” é álbum para curtir a vida boa à beira-mar, como já direciona a música boa que abre o disco, “Sudamérica”, faixa escolhida para promover esse sétimo álbum autoral gravado em estúdio por Silva.
Entre ecos da bossa nova, dos boleros havaianos de Lulu Santos, da pulsação do axé, das canções mergulhadas em sal e da batida do samba, Silva apresenta um cancioneiro filtrado pela alegria.
Composta em março de 2025, durante férias do artista, a safra autoral do álbum “Rolidei” – quase toda assinada por Silva com o irmão Lucas Silva, parceiro habitual – inclui músicas em estilo good vibes como “Areia” e “Deus de batom” entre a faixa-vinheta “Dias assim”, interlúdio feito de sons de mar, vocais e violão.
Com ágil batida synth pop, a música-título “Rolidei” pode até ser seguida pelo público que costuma ir atrás do Bloco do Silva – o mesmo podendo ser dito de “Sorriso de pura beleza”, parceria do cantor com Samuel Emery.
Orquestrada pelo próprio Silva, a produção musical do álbum “Rolidei” serve bem às músicas. Desta vez, não há feats, samples e maiores pretensões. A ideia do artista parece ter sido mergulhar em águas tranquilas, como exemplifica “Ondina”, outra música dessa safra marítima de canções suaves.
“Sinto que esse é o meu álbum mais alegre até aqui. Alegria como necessidade básica mesmo, pra gente encarar a vida. Fiz o ‘Rolidei’ para me acompanhar nos dias mais solares e para atravessar melhor os dias ruins. Que esse álbum lhe traga uma sensação de férias e de tempo bem vivido”, conceituou Silva em texto postado nas redes sociais do artista.
Com título que abrasileira a palavra holiday (feriado, em inglês), em alusão à homônima caravana mambembe que atravessava o país no filme “Bye bye Brasil” (Cacá Diegues, 1979), o álbum “Rolidei” vai para onde tem sol e mar com músicas como “Hotel Pasárgada” e “Ouvir a maré”.
Por mais que soe (levemente) repetitivo na medida em que avançam as 12 faixas, o álbum “Rolidei” sustenta o conceito básico que o gerou, inclusive quando esboça certo intimismo na vinheta instrumental “Atlântico Sul” e quando caminha para a introspecção final na balada de voz e violão “Algo bom”, cuja letra otimista cita verso de “Até quem sabe” (João Donato e Lysias Ênio, 1973).
Enfim, “Rolidei” pode não ser o álbum mais ambicioso de Silva, mas cai bem nesse momento em que o mundo doente e em guerra necessita de paz e alegria.
Capa do álbum ‘Rolidei’, de Silva
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Contracapa do álbum ‘Rolidei’, de Silva
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