
Um total de 139 áreas de Bento Gonçalves, na Serra do estado do Rio Grande do Sul, estão suscetíveis a enchentes e deslizamentos. Os locais tem quase 6 mil moradores e cerca de 1,4 mil imóveis. É o que aponta um levantamento de risco geo-hidrológico realizado pelo Serviço Geológico Brasileiro (SGB) e divulgado na noite desta terça (07).
O estudo é uma etapa para elaboração do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), cujo objetivo é reduzir a vulnerabilidade de populações a eventos extremos por meio de planejamento urbano.
Desenvolvido ao lado da Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades, a análise começou em outubro de 2024 e foi finalizada em julho de 2025, após cinco etapas.
De acordo com os achados, foram encontradas 139 áreas de risco geológico, classificados de acordo com a severidade. Nove foram dadas como áreas com risco com alto, enquanto 61 estão em risco alto e 69 com risco médio. Desastres ambientais como deslizamentos, enxurradas, inundações e quedas de blocos de rocha foram considerados na avaliação técnica.
Veja um resumo dos apontamentos nas tabelas abaixo:
Destaques do estudo geológico

- 5.940 pessoas vivem em áreas de risco em Bento Gonçalves;
- O Distrito Faria Lemos é o bairro mais sensível, com 290 moradores em áreas de risco muito alto para enxurradas, deslizamentos e corridas de massa;
- Em relação ao risco alto, o bairro com maior número de moradores expostos é o Bairro Municipal, com 264 pessoas em locais com risco de deslizamento, na Rua José Gasperini;
- No bairro Zatt, na Rua João Domingos, vivem 648 pessoas em área com risco médio de deslizamento.
A importância do Plano de Redução de Riscos
O Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) tem a finalidade de identificar, caracterizar e propor soluções para áreas urbanas sujeitas a fenômenos geológicos e hidrológicos. Ele é um instrumento previsto na Política Nacional de Proteção e Defesa Civil também serve como base para decisões sobre investimentos públicos, planejamento urbano e políticas habitacionais voltadas à redução de vulnerabilidades sociais.
Ou seja, além do diagnóstico das áreas de risco, o PMRR apresenta recomendações de medidas para mitigar os problemas identificados, como obras de contenção e drenagem, monitoramento de áreas críticas, ações de fiscalização e iniciativas de educação e preparação para desastres. O próximo passo agora é da prefeitura municipal de Bento Gonçalves, que deve acessar as orientações de medidas e decidir ações necessárias para introduzir o plano.
A diretora do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (IPURB) de Bento Gonçalves, Melissa Bertoletti Gauer, ressalta que o documento também contribui para captação de recursos necessários para as mudanças na cidade. Outros municípios do país já tiveram os PMRRs entregues, como Goiânia (GO), Paulista (PE), Santa Cruz do Sul (RS) e Teresina (PI). Os PMRRs de Maceió (AL), Fortaleza (CE), Rio Branco (AC), Blumenau (SC) e Rio do Sul (SC) estão em andamento.
Deslizamentos de 2024 deixaram “cicatrizes” em Bento Gonçalves
As chuvas extremas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, conhecidas por conta das enchentes que atingiram 478 das 497 cidades do estado, incluindo a capital e a Região Metropolitana, também deixaram rastros de desastres na Serra Gaúcha. Entre 30 de abril e 6 de maio, ao menos 15 mil deslizamentos de terra atingiram 130 cidades no estado, segundo informações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
A entidade concluiu que este foi o maior episódio de movimentos de massa já registrado na história do país. O mesmo estudo apontou que os riscos para mais deslizamentos e inundações aumentaram, até mesmo com chuvas de menor intensidade.

Na cidade de Bento Gonçalves, dezenas de casas foram levadas com o movimento das terras. Ainda, a cidade perdeu conexão com o Norte do estado, pois uma ponte que dava acesso também foi levada pelos deslizamentos. Ao menos 4 pessoas desapareceram.
