
Uma falha elétrica em um centro de controle levou ao fechamento do espaço aéreo de São Paulo por cerca de 40 minutos na manhã desta quinta-feira (9), interrompendo operações e afetando voos.
Os aeroportos de Guarulhos e Congonhas ficaram temporariamente impedidos de receber aeronaves, enquanto Viracopos registrou atrasos e cancelamentos.
- Entenda o caso: Após pane, voos de Congonhas, Viracopos e Guarulhos são retomados
A situação logo foi contornada, porém, de acordo com informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mais de 7,5 mil passageiros foram afetados com a paralisação dos aeroportos de Congonhas, Guarulhos e Campo de Marte.
Centros de controle aéreo são responsáveis por gerenciar e monitorar o fluxo de aeronaves em uma determinada região do espaço aéreo. No Brasil, o controle do tráfego é responsabilidade do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), um órgão ligado à Força Aérea Brasileira.
Para compreender melhor o funcionamento dessas estruturas e a forma como o sistema atua em situações de emergência, o iG conversou com o Comandante Fábio Borille, instrutor e examinador de pilotos que detalha a relevância desse serviço para a aviação.
De acordo o especialista, os centros de controle de tráfego aéreo são fundamentais para garantir a segurança das operações na aviação civil. Isso é feito por meio da manutenção de uma distância segura entre as aeronaves, além da organização de rotas e do fluxo de voos, o que contribui para maior eficiência no espaço aéreo.
Para isso, são utilizados diferentes sistemas, como radares, comunicação por rádio e tecnologias digitais.
Ele acrescenta que, em determinadas operações, também são utilizados recursos digitais como o CPDLC (Controller–Pilot Data Link Communications), que funcionam como um sistema de mensagens entre pilotos e controladores, contribuindo para reduzir falhas na comunicação e aumentar a precisão das orientações.
Tecnologia por trás do controle
Para acompanhar o tráfego aéreo com precisão, os centros utilizam combinações de recursos que dispõem.
Além das redes de comunicação que incluem rádios e sistemas digitais de CPDLC, também estão radares primários e secundários, sistemas de transmissão automática de posição, como o ADS-B, e softwares que processam dados de voo, exibindo rotas, altitudes e previsões.
Como o sistema reage a falhas e emergências?

Situações como panes técnicas ou aumento no fluxo de aeronaves exigem respostas rápidas. De acordo com o especialista, cada controlador trabalha dentro de um limite seguro de aeronaves. Quando há maior demanda ou algum problema, o tráfego pode ser reorganizado.
Também existem procedimentos alternativos, como a chamada operação convencional, em que o controle passa a se basear mais nos relatos dos pilotos sobre posição, altitude e estimativas de rota.
Papel essencial na aviação
Para Fábio, a importância dos centros de controle aéreo vai além da segurança. Eles também garantem eficiência ao sistema, reduzindo atrasos e otimizando trajetos.
Ele ainda ressalta que, diante do intenso volume de tráfego aéreo atual, sobretudo nas regiões mais movimentadas, seria impossível manter os padrões de segurança e eficiência sem a atuação desses centros.
