Caso de poluição da Goodyear pode virar crime ambiental

Cetesb exige a remoção dos resíduos do leito do córrego, um plano de ação para recuperação do local e oficializa a multa de R$ 115,2 milReprodução

A multinacional de pneus Goodyear, recentemente autuada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), pelo descarte irregular de óleo e graxa em um córrego na cidade de Americana, no interior de São Paulo, pode ser penalizada por crime ambiental, além da multa já aplicada de R$ 115,2 mil. A empresa ainda tem direito a recurso.

O córrego poluído, que separa a Vila Bertini do Parque Nova Carioba, tem o nome de Bertini e possui papel fundamental no abastecimento de água da cidade, além de ser um importante corredor de biodiversidade para a fauna e a flora regional.

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O advogado criminalista, Doutor e Mestre em Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Diego Valadares, explicou como o descarte irregular dos dejetos pode resultar em penalidades por crime ambiental.

Além do crime de poluição hídrica, o especialista também destacou o agravante no descarte incorreto de substâncias como o óleo e a graxa, na água do córrego.

Caso seja confirmado que o sistema de tratamento de efluentes da fábrica operava fora dos parâmetros fixados na licença, a empresa pode responder criminalmente pelo funcionamento de atividades potencialmente poluidoras contrariando as condições licenciadas.

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Responsabilidade de profissionais da empresa

Segundo o sistema jurídico brasileiro, tanto a pessoa jurídica quanto os dirigentes, ou seja, gerentes ou responsáveis técnicos da área podem ser responsabilizados simultaneamente pelo caso, baseado no art. 3º, Lei 9.605/1998 e Súmula 623/STJ.

Acúmulo de óleo e graxa no leito do córregoReprodução Redes Sociais

De acordo com isso, a investigação deverá apurar a existência de dolo ou culpa na conduta dos administradores e identificar eventuais falhas na fiscalização interna da empresa.

Possibilidade de acordo consensual ou responsabilização penal

Os próximos passos do processo incluem o envio dos relatórios técnicos da Cetesb ao Ministério Público, que poderá abrir um inquérito policial ambiental e, ao final, oferecer denúncia criminal.

O descarte irregular no córrego ultrapassa o âmbito administrativo e pode chegar a responsabilização penal da empresa e de seus gestores, além de medidas cíveis para reparação ambiental integral, a depender das conclusões periciais e da postura colaborativa da companhia.

Quais as exigências já impostas pela Cetesb?

  • Pagar a multa de R$ 115,2 mil;
  • Apresentar relatório técnico, elaborado por profissional habilitado, que comprove a remoção dos resíduos de óleos e graxas existentes no córrego e seus afluentes;
  • Comprovar a destinação adequada dos resíduos removidos;
  • Realizar a recuperação ambiental das áreas impactadas, incluindo descrição dos métodos utilizados e registros fotográficos antes, durante e após a intervenção;
  • Apresentar relatório técnico que explique por que ocorreu o descarte irregular;
  • Fazer e comprovar medidas corretivas no sistema de tratamento de efluentes;
  • Informar os procedimentos de manutenção e monitoramento do sistema de tratamento de efluentes.

Em nota, a Goodyear informou que já está em contato com os órgãos responsáveis para avaliar o caso e tomar as providências necessárias.

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