Pré-candidatos: seu voto elege alguém que você não conhece

Urna Eletrônica e as celebridadesCrédito: Criado por I.A.

Qual é o tipo de eleitor que você é?

Você ignora política? Acha que nenhum político presta? Ou vota em quem você já segue?

Porque se você respondeu qualquer uma dessas três, esse texto é pra você.

As pessoas dizem que odeiam política, que os políticos não representam ninguém e que o Congresso é uma vergonha. Aí chega a eleição e votam em quem já conhecem da TV, do Instagram ou do TikTok.

Não é fenômeno novo. Teve candidato que se elegeu quando disse:

Dezesseis anos depois, ficou. Mas a escala mudou. As pré candidaturas hoje parecem casting de reality show:

Edmundo e Luxemburgo pelo futebol. Gracyanne Barbosa pelo fitness. Manoel Gomes, o cara da Caneta Azul. Jojo Todynho pelo funk. E ainda Silvia Abravanel, Antonia Fontenelle, Rico Melquiades, Val Marchiori e Andressa Urach. E por pouco o Dado Dolabella, que só não conseguiu se filiar porque o passado não deixou.

Todos filiados. Todos com pré-candidatura. Tem um projeto aí.

Aí eu tenho três perguntas.

Primeira: qual é a intenção do artista?

Não é vocação pública. Não é projeto político. É o caminho mais curto entre a fama e um cargo. A candidatura não exige que ele aprenda nada novo, só avisar os seguidores: “agora eu sou candidato.” A fama já fez o trabalho pesado. O cargo público vira mais uma etapa na carreira.

Segunda: qual é a intenção do partido?

Partido não quer político. Partido quer voto. E o famoso já chega com isso no bolso, sem campanha, sem palanque, sem custar nada.

Mas tem um detalhe que pouca gente ignora: no Brasil você não elege só uma pessoa.

Se um famoso consegue votos além do necessário, o excedente elege outros candidatos do mesmo partido, gente com 15, 20 mil votos que você nunca ouviu falar.

Você votou pela fama. Quem entrou junto você nem sabe o nome.

Por isso os partidos não estão montando equipes. Estão montando elenco.

O candidato quer transformar fama em poder. O partido quer transformar voto em influência. E o eleitor quer conforto. Conforto de votar em quem já conhece. Conforto de não precisar pesquisar. Conforto de terceirizar a atenção política.

Terceira, e última:

Como você vota? Por identificação? Por simpatia? Pelo mesmo critério que usa pra seguir alguém no Instagram?

A pergunta não é sobre o famoso. Não é sobre o partido.

É sobre você: qual é a sua intenção?

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