
O Camboja inaugurou uma estátua em homenagem ao rato Magawa, animal farejador de minas terrestres, reconhecido por seu papel no salvamento de muitas vidas ao identificar explosivos deixados por guerras no país. As informações são do Cambodianess.
A cerimônia oficial foi realizada em 3 de abril, na província de Siem Reap, na sede da organização APOPO (organização não governamental belga registrada que treina ratos da espécie Cricetomys ansorgei para detectar minas terrestres e tuberculose. Eles chamam seus ratos treinados de HeroRATs), com a presença do vice-presidente da Autoridade Cambojana de Ação contra Minas, Ly Thuch.
Comunidades viviam sob risco de morte
Durante o evento, o ministro destacou que, por décadas, comunidades do país viveram sob risco constante devido à presença de minas terrestres e munições não detonadas.

De acordo com Thuch, o trabalho do rato Magawa contribuiu diretamente para reduzir esses perigos e permitiu que moradores retomassem suas atividades com segurança após todfos os conflitos que o país teve no passado.
O representante também ressaltou que o legado do animal vai além dos números. Para ele, Magawa se tornou um símbolo de perseverança e confiança no trabalho humanitário, refletindo o esforço coletivo de instituições, países parceiros e organizações que atuam no processo de desminagem no Camboja.
O rato farejador de bombas
Nascido na Tanzânia, Magawa foi treinado pela ONG belga APOPO e começou a atuar em 2016, após ser enviado para Siem Reap. Ao longo de cinco anos de carreira, ele ajudou a limpar mais de 225 mil metros quadrados de terra, o equivalente a cerca de 42 campos de futebol.
Durante esse período, o rato detectou 71 minas terrestres e 38 artefatos explosivos não detonados. Em reconhecimento ao trabalho, recebeu em 2020 a medalha de ouro da People’s Dispensary for Sick Animals, uma das honrarias mais importantes concedidas a animais por bravura.
Magawa se aposentou no ano de 2021 e morreu no ano seguinte, em 2022, deixando um legado marcado por ações que salvaram vidas e transformaram comunidades inteiras em todo o Camboja.
Mesmo com avanços, o Camboja ainda figura entre os países mais afetados por minas terrestres no mundo. Décadas após conflitos armados, explosivos remanescentes continuam representando uma ameaça para milhares de pessoas, que ainda contam com a ajuda de roedores para a detecção e explosão de minas terrestres.
