
Endividamento bate recorde no Brasil: percentual de famílias com dívidas alcançou 80,4%
Uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostra que 71,7% dos moradores de Macapá estão endividados. O cartão de crédito é o principal responsável, com 62% dos casos.
De acordo com a pesquisa, cerca de 98 mil famílias da capital têm algum tipo de dívida. O endividamento acontece quando as contas se acumulam além da capacidade de pagamento, causando desequilíbrio financeiro.
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Já o empréstimo pessoal representa 17% das dívidas. Muitas pessoas recorrem a bancos e financeiras, mas não conseguem quitar os valores.
A pesquisa aponta ainda dívidas com empréstimos consignados e financiamentos de veículos e imóveis, que acabam aumentando o acúmulo de contas.
A economista Beatriz Cardoso, do Instituto Fecomércio, explica que muitas famílias usam crédito para manter o consumo. Ela alerta que essa prática não deve ser prioridade.
“O grande vilão é o cartão de crédito. Estamos passando por um momento de incertezas econômicas e tudo isso tem impactado de forma negativa, principalmente no consumo. É importante não comprometer mais de 50% da renda, pois sabemos que existem as despesas básicas que precisamos pagar todos os meses. A pesquisa mostra que boa parte da população está utilizando o crédito para despesas básicas, o que evidencia que muitas pessoas não estão conseguindo quitar suas dívidas com a renda que recebem”, disse Beatriz.
Na prática, seis em cada dez moradores de Macapá têm dívidas no cartão de crédito.
Já a inadimplência, que é quando a dívida vence e não é paga, atinge 26% da população de Macapá.
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Pesquisa mostra dados de endividamento em Macapá
Josi Paixão/g1
Cenário nacional
No Brasil, 80,4% das famílias estavam endividadas em março de 2026, o maior índice da série histórica. O número é maior que o registrado no ano anterior e mostra que o uso do crédito continua em alta.
A inadimplência ficou estável em 29,6%, acima do índice de 2025 (28,6%). Já o número de famílias sem condições de pagar dívidas atrasadas caiu para 12,3%, mostrando leve melhora na capacidade de pagamento.
O percentual de pessoas que se consideram muito endividadas caiu para 16%. O comprometimento da renda também diminuiu para 29,6%, abaixo do ano anterior. Houve ainda alongamento dos prazos das dívidas, o que ajuda a aliviar o orçamento das famílias.
O endividamento aumentou em todas as faixas de renda, principalmente entre famílias de maior renda. Já a inadimplência caiu entre os grupos de menor renda, mostrando maior controle financeiro.
A expectativa é que o endividamento siga em alta no primeiro semestre de 2026. Já a inadimplência deve depender de fatores como inflação e preços de itens essenciais, como energia e combustíveis.
A pesquisa é feita mensalmente nas capitais para traçar o cenário econômico do país.
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