
O cheiro que surge nos primeiros instantes da chuva é um dos fenômenos mais marcantes do cotidiano. Chamado de petricor, esse aroma característico tem origem biológica e resulta da interação entre o solo, microrganismos e as gotas de água.
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O termo vem do grego “petra” (pedra) e “ichor” (o fluido que flui nas veias dos deuses da mitologia grega), e descreve justamente esse cheiro agradável que costuma acompanhar as primeiras pancadas de chuva, especialmente após os períodos mais secos.
Em entrevista cedida ao iG, a bióloga Amanda Scardini Leon Isaac, explica que, embora algumas pessoas considerem o fenômeno apenas uma impressão, o cheiro realmente existe.
Entretanto, o cheiro que sentimos não vem da água da chuva em si, mas de substâncias que já estavam presentes no ambiente.
De acordo com a bióloga, o aroma característico está associado à ação de microrganismos presentes no solo, especialmente as actinobactérias que atuam na decomposição de matéria orgânica, como folhas e restos de plantas.
Esse processo resulta na liberação da geosmina, uma substância que o ser humano consegue identificar com facilidade.
Além disso, o cheiro, pode sinalizar que os processos biólogicos do solo estão ativos. Esse funcionamento contribui para a liberação de nutrientes no solo, que passam a ser absorvidos pelas plantas após a chuva.
Amanda acrescenta que outro fator que intensifica o aroma é o acúmulo de óleos naturais no solo liberados pelas plantas durante períodos secos. Quando entram em contato com a chuva, esses compostos potencializam o cheiro.
Influência do clima na intensidade do cheiro

A intensidade do cheiro de chuva pode variar bastante, de acordo com as condições climáticas. A especialista explica que períodos prolongados de seca tendem a intensificar o fenômeno, já que permitem o acúmulo das substâncias específicas no solo.
O calor também influencia na percepção desse cheiro, pois aumenta a atividade dos microrganismos, elevando a produção de geosmina. Por outro lado, se o ar já estiver úmido antes da chuva, parte desses compostos pode ser liberada gradualmente, tornando o cheiro menos intenso.
O cheiro muda entre as áreas rurais e as urbanas?

O ambiente também tem seu papel na percepção do petricor. Amanda Scardini explica que em áreas rurais, onde há mais vegetação, solo exposto e maior presença de microrganismos. Com isso a produção da geosmina é aumentada e o cheiro costuma ser mais intenso e puro.
Já em regiões urbanas, o cenário é diferente. A cobertura de asfalto e concreto reduz a presença desses organismos, além disso, a poluição também interfere na composição do aroma. Como resultado, o cheiro do fenômeno tende a ser mais fraco e, muitas vezes, misturado a outros odores urbanos.
Um fenômeno ainda em estudo

Além de ser responsável pelo cheiro de terra molhada, a geosmina também pode aparecer em alimentos e na água. Nesses casos, é tratada como um contaminante, por estar associada a odores de mofo, sabor terroso e uma coloração diferente da água.
Embora não seja tóxica para humanos, a geosmina é indesejada em alimentos e bebidas, já que nesses casos sua presença está associada a contaminantes que podem representar riscos à saúde.
