
A missão Artemis II foi concluída com sucesso na última sexta-feira (10), marcando o retorno da tripulação à Terra após uma jornada de 10 dias em exploração espacial ao redor da Lua.
O feito representa o primeiro voo tripulado além da órbita baixa terrestre desde a Apollo 17, realizada em 1972. Além disso, os astronautas estabeleceram um novo recorde ao atingirem a maior distância já percorrida por humanos no espaço.
Apesar do encerramento da missão no espaço, o trabalho científico segue em andamento na Terra. Todos os experimentos realizados a bordo da Orion passam agora por análises detalhadas que serão descritas em relatórios.
- Veja também: Quanto custou retorno histórico à Lua e quem ganha com isso
Durante a missão, a tripulação realizou uma série de testes para orientar futuras etapas da exploração lunar.
As atividades incluíram avaliações do desempenho da espaçonave em operações com tripulação, análise de equipamentos, simulações de procedimentos de emergência e testes com os trajes do sistema de sobrevivência da Orion, além de outros sistemas críticos da nave.
Os quatro astronautas também participaram de experimentos científicos voltados à preparação de futuras missões. O objetivo é entender melhor como os humanos poderão viver e trabalhar na Lua, enquanto a Nasa avança na construção de uma base lunar e planeja viagens a Marte.
Entre os estudos, está a investigação AVATAR, que analisa como o tecido humano reage à microgravidade e à radiação do espaço profundo, gerando dados importantes para missões de longa duração.
Segundo a Nasa, durante o sobrevoo lunar, em 6 de abril, a equipe registrou mais de 7 mil imagens da superfície da Lua e de um eclipse solar observado a partir da Orion. As fotografias incluem detalhes como crateras de impacto, antigos fluxos de lava, a Via Láctea e e fraturas superficiais e variações de cor ao longo do terreno lunar.
Os astronautas também mapearam a região do “terminator”, faixa que divide o dia e a noite lunar. Nesse ponto, a iluminação cria sombras longas, semelhantes às condições encontradas no Polo Sul da Lua, onde os astronautas estão programados para pousar em 2028. Além disso, sugeriram nomes para novas crateras e relataram possíveis impactos de meteoros no lado escuro do satélite.
Os resultados científicos e operacionais da Artemis II irão contribuir para aperfeiçoar as operações e o treinamento dos astrounatas, auxiliando na tomada de decisões mais seguras e na identificações de regiões importantes para pesquisa e exploração.
Com o retorno seguro da tripulação, a Nasa e seus parceiros agora concentram esforços na preparação da Artemis III, prevista para o próximo ano.
Quais os próximos passos do Programa Artemis?

Apesar do sucesso da Artemis II, a missão ainda não atingiu o principal objetivo da Nasa, que é realizar o pouso de astronautas na superfície lunar. Ainda assim, o retorno dos humanos à Lua segue nos planos do programa, que prevê novas etapas nos próximos anos.
A próxima etapa do programa é voltado para a missão Artemis III, prevista para 2027. Inicialmente destinada a levar astronautas novamente ao solo lunar, a missão agora será precedida por um voo de demonstração em órbita baixa da Terra. O objetivo será testar os módulos de pouso desenvolvidos por empresas privadas, como a SpaceX e a Blue Origin.
Nessa etapa, a tripulação será lançada a bordo da cápsula Orion, impulsionada pelo foguete SLS (Space Launch System), para avaliar manobras de encontro e acoplamento com as espaçonaves comerciais.
Na sequência, a Artemis IV mantém como meta o primeiro pouso do programa no início de 2028, cronograma que vem sendo considerado desde 2025. Após o lançamento, a tripulação será transferida da Orion para um módulo lunar comercial, responsável pelo transporte até a superfície da Lua.
A escolha do operador dependerá da prontidão desses veículos, que também farão o trajeto de retorno até a órbita lunar antes da volta dos astronautas à Terra, com amerissagem no Oceano Pacífico.
Para essa missão, a Nasa pretende implementar uma versão padronizada do Space Launch System. O plano inclui a substituição do estágio de propulsão criogênico provisório por um novo segundo estágio.
Já a Artemis V deve ocorrer até o fim de 2028, utilizando a configuração atualizada do foguete SLS. A expectativa é que, a partir dessa fase, as missões passem a acontecer com maior frequência, com cerca uma vez por ano. Esse estágio também marca o início da construção de uma base lunar, ampliando a presença humana no satélite natural.
